Os desmazelos dos pais… custam caro aos filhos!

E chegou Março, e com ele nos trouxe o Dia do Pai! Figura tão nobre, sinal de coragem, bravura, confiança, aconchego, amor, presença. Será que é sempre assim?...

Os pais vão exercendo o seu papel parental, a par do das mães, conjuntamente com os vários papéis que desempenham na sua vida, que os vão (também) moldando enquanto pessoas.

E nessa vivência vão (eles também) acumulando pequenos desmazelos, de que poderão não ter consciência (hoje), mas que certamente poderão ter repercussões no crescimento dos filhos (amanhã). Uma brincadeira que fica para depois, porque o pai está a ver as notícias (ou as suas redes sociais), um jantar em que o pai nem chegou a tempo da sobremesa porque ficou preso no trabalho a resolver assuntos (inadiáveis!?), a ausência num jogo de futebol (ou na maioria dos jogos) …. o raramente deixar as crianças na escola, o nunca participar em reuniões escolares…

São estes e outros pequenos desmazelos que se acumulam e que poderão gerar um sentimento de abandono nos filhos. Lembro-me de um texto que li em que um adolescente - a propósito dos poucos dias em que o pai decide acordá-lo - descreveu este sentimento de abandono assim: “Sempre que o meu pai me abre a persiana, eu fico às escuras”.

Dá que pensar!....

A figura paterna tem vindo a redefinir o seu lugar na dinâmica familiar, pais e mães exercem papéis e funções específicos na família, e o modo como interagem com os seus filhos é diferente, único. Mais do que ser um pai presente, a conceção atual dos pais enquanto figura paterna encerra em si mesma o sentimento de responsabilidade no crescimento dos filhos, o amor incondicional pelos filhos, a participação masculina em espaços educativos…

Por exemplo, ajudar os filhos nos trabalhos para casa, acompanhar o seu dia a dia, participar nos momentos de lazer contribuem para um desenvolvimento emocional e harmonioso dos filhos, que os vão auxiliar no futuro, tanto nas relações com os outros como no seu comportamento em todas as áreas da vida. É suposto e é saudável que as crianças e os jovens formem vínculos múltiplos simultaneamente. Pais e mães não concorrem entre si.

É ao adulto a quem compete ter maturidade e contenção emocional, é isto que diferencia um pai de uma outra figura significativa, um/a amigo/a, por exemplo.

Os pais exercem a sua parentalidade quando percebem que são os pequenos (grandes) gestos, cumulativos e consistentes no tempo que tornam a vida dos seus filhos rica em momentos positivos e saudáveis, quando brincam com eles, quando lhes dão o seu tempo, quando conversam com eles, quando lhes impõem regras e limites, quando são um veículo para a sua autonomia.