A arte de envelhecer

Envelhecer é uma tarefa tramada, começamos a pensar se isto é a vida que realmente queremos; a maioria das pessoas não cumpre os sonhos, e depois chega à velhice e já é tarde de mais. O melhor mesmo é continuar a sonhar e nunca perder esperança, é a atitude mais digna, mesmo sabendo que na prática é quase impossível fugir à desilusão.

Viver numa Ilha é tanto mais dramático pela circunstância de que para mudar de ares é preciso apanhar um avião.

Eu por mim continuo a sonhar que posso ser um bom advogado, e participar na vida pública de uma forma construtiva, o objectivo é fazer de mim o melhor que posso ser, ter crença e força de vontade para construir diariamente uma energia positiva que me faça sobreviver.

Há dias em que penso, o que faço numa Ilha quando o mundo é tão grande, podia percorrê-lo sem ter horários, agarrado a trabalhos esporádicos.

Há várias perspectivas de ver a vida, eu por mim nunca fui muito disciplinado, porque a disciplina mata e torna o homem numa máquina.

Continuo a pensar que é nas emoções que encontro o meu sentido e autenticidade.

Desistir nunca pode ser opção, e não existem caminhos para a felicidade, apenas desafios que valem a pena o esforço de serem lutados.

Nunca quis uma vida normal, sempre procurei a verdade, hoje menos, mas sempre tive apetência por saber o que é real.

O ser-humano é narcisista por defeito de origem, no entanto a humildade é uma virtude que permite a aprendizagem, e com uma boa dose de autoconfiança costuma dar os seus frutos.

Aqui na Madeira, o narcisismo parece que é mais exacerbado, da noite para o dia criam-se figuras públicas, que na pequenez, da ilha julgam-se donos de características especiais, não atribuíveis ao comum dos mortais.

Cada vida tem tanto mais interesse consoante a autenticidade com que se vive.

Necessário será também uma boa dose de altruísmo e por vezes ser surdo, para não ouvir as más opiniões de quem ao estilo da beata da igreja, faz sempre tudo correcto e coloca-se na posição de juiz social.

Força é o que se quer, e estudo das questões para surgirem opiniões fundamentadas.

Se não estamos no fim do mundo, é algo parecido com isso, uma cidade pouco cosmopolita, sem conversas de muito interesse e pouca aprendizagem intercultural.

Valem as amizades, que permitem viver com um pouco mais de ar fresco.

A atitude derrotista, leva ao desespero e aos caminhos sem saída.

Eu acho que nesta Ilha, devemos combater interesses económicos, lutar por uma melhor redistribuição dos rendimentos, como também acabar com os preconceitos de classe, com quem pensa que por andar num clube privado é melhor que os outros, ou que por ter uma melhor profissão tem o estatuto de doutor.

É tempo de os madeirenses se levantarem e exigirem aquilo que merecem, sem politiquices, daqueles que querem estar na política a defender um ordenado e cegamente um partido.

Há pessoas más em todo o lado, mas por maioria de razão também existem pessoas boas.

A Madeira poderia ser um pequeno paraíso, depende da vontade do povo em mudar, em ganhar autoestima, e realizar um princípio de igualdade.

As questões discutidas são sempre as mesmas, os transportes aéreos, o ferry, o helicóptero, os portos, a saúde; e agora a aquacultura (como se fosse uma questão decisiva para a vida do madeirense em geral).

Enquanto isso os madeirenses sucumbem à depressão.

A questão mais importante que tem sido discutida é mesmo a saúde, mas sem se perceber bem qual é a alternativa da oposição, a não ser a discussão politizada de um director clínico.

Ainda vamos no início do ano e parece, que tudo terminou com a discussão do orçamento.

Temos um diário de notícias completamente politizado, como nunca foi.

O desemprego e o trabalho precário mantem-se, tal como a população endividada que não teve arte e engenho para pedir a insolvência pessoal.

Só se fala do tempo, que é verão na madeira, conversa de reformado.

Um homem na sua batalha diária pela sobrevivência está desconectado do debate político, porque realmente em nada a sua vida é alterada pelas mudanças políticas.
Para quem tem paciência de ler os meus artigos, deixo desde já o meu muito obrigado, porque não deve ser fácil lidar com o pessimismo aqui vislumbrado.

Resta dizer que há sempre tempo para acreditar, e que o mais importante é o dia-a-dia, acabar com os chavões, e viver sem medo e com confiança para que ninguém possa espezinhar.

Posso dizer que estou de volta e com força para afirmar as minhas opiniões.