Futuro desiludido

Bem-vindos ao futuro. Estamos em 2020, já ultrapassamos o Blade Runner, pelo menos o primeiro, mas continuamos a andar em carros de quatro rodas e que não voam. A utopia do futuro continua presente na nossa mente, mas não é algo que se transpõe para a realidade, o que significa duas coisas, ou não evoluímos o que devíamos, ou temos uma imaginação futurística demasiado grande. Penso que a segunda parte afirmação é capaz de ser a mais correta.

Imaginamos carros voadores, comer em cápsulas, casas descartáveis, viajar de um lado para outro numa questão de segundos, ir à colónia de férias em Marte e na Lua, conseguirmos teletransportarmos, entre outras coisas. Por enquanto isso continua só na nossa imaginação, como termos uma sociedade mais justa, por exemplo, e enquanto tivermos imaginação tudo pode acontecer, pois se “pensamos, logo existimos” – parafraseando Descartes, “se imaginamos, conseguimos construir” – parafraseando outro alguém, por enquanto temos um futuro desiludido.


Ora zumba na laranja

O PSD nacional teve eleições para a sua presidência a nível nacional, mais confusão, menos confusão, tivemos Rui Rio como vencedor teórico pois, Luís Montenegro conseguiu levar as indecisões laranjas a uma segunda volta. Por cá, ao que consta, o mais votado foi Miguel Pinto de Luz, o que demonstra um perfeito desencanto das hostes da Rua dos Netos para com o restante partido. A confusão continua com uma ameaça de impugnação das eleições nacionais, tudo isto por causa do regime do pagamento de quotas.

Mas a confusão no PSD não é algo de novo. Tivemos esta semana a votação para o Orçamento de Estado 2020. O PSD-Madeira, o partido que durante toda as eleições, do último ano, diabolizou o PS, António Costa, a Assembleia da República, de um momento parecia que iria ter a faca e o queijo na mão para decidir a aprovação, ou não, do mesmo. Revindicou mundos e fundos, as verbas para o novo hospital, as tarifas da mobilidade aérea e que só aprovaria se isso acontecesse. De um momento para o outro, o PSD-M aliou-se ao PS nacional, a Belzebu, a Satanás ou ao filho de Lúcifer, conforme preferir, o que só mostra uma coisa, como no futebol, o que é hoje verdade, amanhã é mentira. Entretanto as ameaças de voto contra do Bloco de Esquerda foram à vida, bem como as do PCP, e a “faca e queijo” desapareceu da mão dos sociais-democratas madeirenses. Resultado final, a montanha pariu um rato e o povo lá terá de se contentar com o rato, se tal for incluído no Orçamento da Região para 2020, já que é o mais baixo dos último três anos.


IDLES – A Beautiful Thing: Idles Live at le Bataclan, PUNK IS NOT DEAD!

Há qualquer coisa de misticismo neste concerto de Idles no Bataclan, o mais impressionante é que isso consegue ser captado e transmitido ao longo das dezanove faixas que compõe os quase noventa minutas de duração deste álbum.

Para compreender este misticismo é necessário mergulharmos na tragédia de 2015, com os Eagles of Death Metal (EoDM) em palco, ao contrário do anunciado em vários ‘outlets’ noticiosos a EoDM não é uma banda de Death Metal, convém sempre relembrar isso, voltemos a 3 de dezembro de 2018, data da gravação deste disco.

A construção do alinhamento parece mais cuidada do que um concerto de Pink Floyd, começamos com entrada de ‘Colossus’, calma, em modo de drone, melancólica, em crescendo até entrar o ritmo violento de IDLES, descaraterizado do seu punk-rock.

O ponto alto é o punk puro de ‘Mother’, ‘White Privilege’, ‘Cry to Me’, e das outras faixas que mostram que o Punk não está morto.