5 “post-scriptum” num só texto

Desde miúdo ouvi os entendidos afirmar que, independentemente de necessárias inovações constantes, os dois principais cartazes profanos das Festas de Natal e Fim do Ano na Madeira serão sempre as Iluminações e o Fogo de Artifício. Luzes e fôgo.

   Parabéns aos responsáveis pelas Iluminações.
   Que me lembre, 2019 foi talvez o ano mais brilhante em quantidade e qualidade, do litoral às zonas altas do Funchal.
   Já quanto ao fôgo. Inclusive desde os meus últimos anos de governação, há mais estalos e excesso de rodelas fugazes pouco variadas - não é um problema de côres - e menos belíssimas cascatas duradouras.
   É preciso melhorar aqui. O que implica cadernos de encargos para concurso, muito mais exigentes e mais minuciosos - não é copiar o do ano anterior - sem esquecer também mais rigor na distribuição do fôgo. Por exemplo, este ano, entre outras assimetrias, São Roque era um vazio.

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É de louvar a iniciativa anunciada pelo Presidente do Parlamento da Madeira, de alargar à sociedade civil a discussão sobre temáticas que não são exclusividade dos Partidos, mas de uma importância fundamental para as quais urge mobilizar o Povo Madeirense.
   Sobretudo para se assentar colectivamente na fixação das grandes questões das quais depende o futuro da nossa população: mais Autonomia; cumprimento pela República das respectivas obrigações constitucionais; a dívida pública colonialmente imposta; o Centro Internacional de Negócios e os Fundos Europeus; o sistema fiscal próprio; Universidade da Madeira e Economia do Mar; o pleno exercício da autoridade regional nos aeroportos que são nossos.
   Se é para ficarmos em vulgaridades assistencialistas de mais subsídios, mais borlas, dispensas de trabalhar, etc., de menos investimento público e privado, a mediocridade eleitoralista do "bacalhau a pataco", tudo à custa da Classe Média e de guerra à conseguida estratégia de a Autonomia assentar também na criação de grupos empresariais madeirenses, cujo capital já ultrapassa bastante o antigo poder capitalista inglês, se é para mais do mesmo, é melhor o Parlamento não fazer os Madeirenses perder tempo.
   Aliás, é uma heresia rezar só pelos que sofrem - todos CRIATURAS DE DEUS como cada um de nós - e esquecer os Cientistas, os Intelectuais que nos fazem pensar e recriar, os Artistas que nos conduzem ao Belo, os Professores que nos ensinam, os Empresários que produzem riqueza e Emprego, esquecer todos os que contribuem para o Bem Comum e para o aperfeiçoamento da Pessoa Humana.
   O PRIORITÁRIO, sim, é pôr cada Cidadão a perceber, de uma vez por todas, que nenhum problema social ou económico da Madeira se resolverá no tempo, se as questões acima mencionadas não forem primeiro e definitivamente acertadas com a República.
   Já que haverá as despesas de realizar o Dia de Portugal na Madeira, esse evento obriga a que imediatamente se monte uma estratégia para que tal ocasião seja o momento de ultrapassar os referidos constrangimentos que penalizam o Povo Madeirense.
   Para que não seja só uma chachada de discursatas patrioteiras, de comes e bebes, de abraços e beijinhos, vindas em turismo, demonstrações de força, etc., etc.

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Obviamente todos sabemos não ser a descentralização política uma matéria do agrado das "stars" do sistema constitucional de 1976. Nem deleite dos residentes no eixo Lisboa-Cascais, ao contrário do apurado à restante população do Continente em sondagem publicada no próprio órgão oficioso do regime, o "Expresso".
   É assim, não só porque nesse eixo à beira Tejo vivem os que comem à mesa do centralismo, mas também porque o regime político assenta num sistema de "interesses" partilhados por certas "direitas" e certas "esquerdas", ambas sentadas à mesa do Estado!...
   Enquanto que os Portugueses pagam e não é dada voz aos anti-sistema instalado!...!
   O Primeiro-Ministro criou uma Comissão para a Descentralização cujos trabalhos, concluídos em 31 de Julho último, podem ser consultados e estudados no "site" da Assembleia da República.
   Mas agora faz a fita de adiar a regionalização do Continente, assim dando razão ao Partido Comunista não integrar essa Comissão, apesar de favorável, na medida em que a tempo denunciou a sua criação como mais um embuste eleitoreiro de Costa.

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E quando se tem uma visão ousada para o futuro de Portugal devolvido ao Seu Povo, que passa pela regionalização do Continente e pela derrota das Oligarquias, há que, no planeamento desse advir possível, incluir sempre as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo.
   Sobretudo aqui, na Região Autónoma da Madeira.
   A partir de Abril 2015, até à correcta substituição do então governante com a titularidade das Comunidades Madeirenses, o que se fez foi de uma incompetência estrondosa, de um fundamentalismo "renovadinho". Desbaratou-se prestígio acumulado e credibilidade conquistada. Comprometeu-se uma estratégia de resultados comprovados. E até, agora, depois de o Secretário Regional da Educação enfrentar muito bem a questão da Venezuela, destruiu-se a dignidade da estrutura física e da solução administrativa concebida de início, para as transformar num vulgar Serviço.
   É errado misturar "negócios" com políticas que devem ser de acompanhamento e de aconselhamento descomprometido.

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   Por fundamentalismo "renovadinho"... há dias, neste diário, um escriba a tal serviço, compulsivamente imposto a Gabinete que o atura, reescrevia a História das eleições autárquicas de 2013 que o PSD ainda ganhou em votos e número de Autarquias. Mas esqueceu-se do principal!...
   Olvidou aquela "estratégia brilhante" interna de mandar votar na Oposição, para ver se o Alberto João desandava conforme essas criaturas pretendiam.
   "Estratégia brilhante" que lançou as actuais dores de cabeça deles, a começar pelo Paulo Cafôfo e outros!...