Batismo de Jesus, este é o meu filho dileto...

São Marcos começa o seu evangelho pelo Batismo de Jesus. A Igreja Oriental encontra na vida de Jesus dois momentos culminantes, aos quais chama Teofanias, ou seja, manifestações da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, no Batismo de Jesus no rio Jordão, 300 metros abaixo do nível do mar, e no alto do Monte Tabor, na Galileia com Moisés e Elias. São Mateus (Mt. 3,13) escreve: “Batizado, Jesus saiu da água... os céus se abriram e viu o Espírito de Deus descer em forma de pomba, e vir sobre Ele”, como plenitude de graça e revelação, indicando a função mediadora de Cristo, o Servo de Deus, o Amado, o Predileto.

O Padre da Igreja Santo Hipólito (sec. III) escreve: “Este é o meu Filho amado, passa fome e dá de comer a multidões inumeráveis; fatiga-se e reconforta os fatigados, não tem onde repousar a cabeça e tudo sustenta com sua mão, sofre e dá remédio a todos os sofrimentos, é esbofeteado e dá ao mundo a liberdade; é ferido no seu lado e cura o lado de Adão.”

O Pai enviou o Seu Filho que veio ao encontro dos homens para os lavar com a água e o Espírito, e insuflar em nós o espírito de vida e divinizar-nos pela regeneração do Batismo. Para o cristão, o batismo significou purificação do pecado original e de outras faltas eventuais no adulto. São Paulo, na carta aos cristãos da cidade de Colossos na Ásia Menor, para mostrar que Cristo cancelou as nossas culpas, apresenta uma comparação ousada, Cristo não somente tomou sobre si as nossas culpas, mas tornou-se pecado por nossa causa, na cruz tomou o documento que nos condenava, pregou-o na cruz e com o seu sangue apagou o decreto da nossa morte (Cf. Col. 2,14).

Após o nosso batismo, a obra da nossa salvação avança rapidamente. Não devemos pensar no batismo de Cristo sem pensar no nosso batismo. A Igreja tem bons motivos para até permitir o batismo das crianças, continuando uma tradição que remonta aos tempos apostólicos. A consciência dos deveres derivados do batismo exige um conhecimento gradual, uma maturidade progressiva, uma reflexão sobre os ensinamentos da Igreja, principalmente fundamentada nos textos do Concílio Vaticano II. Mediante o batismo os cristãos são inseridos no mistério pascal de Cristo. A liturgia pascal inclui agora a renovação das promessas batismais; nas peregrinações à Terra Santa incluímos também esta renovação nas águas do rio Jordão, onde João batizava e, até alguns, enchem uma garrafa de água para o batismo de crianças da sua família, tradição praticada pela família real inglesa.

Por meio dos batizados Cristo continua ainda hoje a percorrer as estradas do mundo, anunciando o mistério da salvação.  Não é uma notoriedade ou popularidade que nos une a Jesus Cristo, mas uma vida unida à dimensão Pascal do nosso batismo, dimensão que é paixão, morte e ressurreição.

Com o anúncio do Evangelho e o Batismo, cada homem ou mulher torna-se Filho de Deus, aqui está a raiz da dignidade de cada homem e mulher e a substancial igualdade de uns com os outros. Este é o milagre que a Igreja realizou ao logo das idades, povos de diversas estirpes e civilizações foram unidos numa mesma fé, dando origem a uma civilização cristã, fruto da qual foi abolida a escravatura, se defendeu a liberdade, se reconheceu a dignidade humana, se valorizou a mulher e as crianças, se difundiu a cultura e promoveu a paz.