2020, ano novo… ou não

Pois é, chegamos a 2020, aqui chegados e depois de cumpridas as amabilidades de um bom ano, de um próspero ano ou de um feliz ano, o que esperar objectivamente deste primeiro ano da década? Eu sinceramente e talvez com algum cinismo não espero grande coisa.

No mundo, vamos ter outra vez o inqualificável Trump e as suas tropelias acompanhadas dos pouco simpáticos comentários dos seus detratores. Apesar de não concordar com muitas das suas políticas e atitudes truculentas, o que é certo é que os americanos votaram nele e provavelmente o voltarão a fazer, pois os Estados Unidos crescem e crescem bem, com uma economia forte e com emprego. Para 2020, que os americanos tenham mais juízo (incluindo o Sr. Trump)... ou não.

Ainda no mundo e arredores, vamos ter mais indignação e intolerância para tudo o que mexa ou mexeu. Serão sempre milhares de indignados cibernéticos, chalupas e frenéticos, que com tempo, muito tempo e um teclado, vão vilipendiar, achincalhar e assassinar o carácter de um qualquer incauto, que não merece viver, nem respirar o mesmo ar que o indignado e apenas porque não pensa nem faz como ele, o ser perfeito... Ou por ter um carro a gasóleo, ou por ter chamado Tareco ao gato em vez de Francisco, ou por em 1993 ter ouvido um disco de Michael Jackson, ou por comer carne mal passada em vez de tofu, ou por isto, ou por aquilo... Para 2020, inspirados pelos slogans pacifistas: "make love, not posts" ou "make love, not tweets", que os indignados sejam mais solidários, mais bem informados e também formados... ou não (pois é sempre divertidos assistir a um bando de lunáticos aos GRITOS).

Quanto à nossa Europa, esta continuará a definhar num mar de populismo político e num marasmo de ideias alucinadas e de políticas tão politicamente correctas e amigas do ambiente como completamente ineficazes. Infelizmente, a velha senhora vai continuar a ser governada por líderes fracos e voláteis, que têm medo da própria sombra, e que se esquecem que são eleitos para governar o presente e preparar o futuro e não eleitos para um júri de um qualquer concurso de talentos. Esta atitude política amorfa e condescendente, continuará a abrir caminho para o radicalismo e a revindicação selvagem de direitos e aniquilação completa dos deveres dos cidadãos e por arrasto, das suas legitimas aspirações. Para 2020, que os líderes europeus tenham mais visão, coragem e juízo... ou não e isto vai correr muito bem.

O que vai correr de certeza muito bem será Portugal, este nosso país à beira mar plantado. Mas não poderia ser de outra maneira, pois para nosso descanso temos o Costa e o seu modesto e competentíssimo governo. Como se isto não bastasse, temos ainda as senhoras do Bloco e o senhor do PC para ajudar, agora uma ajuda mais dissimulada e menos voluntariosa, mas igualmente empenhada. Quem também vai ajudar muito e de forma quase omnipresente em todo o território, tanto continental como insular, será o nosso Presidente da República. Marcelo, entre discursos, visitas, recepções, abraços, afectos, mergulhos, selfies, almoços, jantares, ceias, condecorações, comendas, comentários desportivos, comentários meteorológicos, comentários televisivos e algum comentário político (de circunstância), lá vai adormecendo o país e os portugueses, e que felizes que são os portugueses a dormir. O Presidente passa na televisão e o país passa ao lado. Para 2020, que os portugueses acordem... ou não, o Costa e companhia agradecem.