"Happy Holidays" - o respeito pela diversidade

Na primeira quadra natalícia que festejei em Toronto, Canadá, em 2014, fiquei admirada por não ouvir, nem ler, o tão esperado e tradicional cumprimento “Merry Christmas” (Feliz Natal).

O motivo é o respeito pela diversidade cultural e religiosa, dado que cerca de 20% da população é imigrante, oriunda de diversos países.

Nos vários ambientes (hospitalar, académico, espaços comerciais, etc.), o costume é desejar “Happy Holidays” (Feriados ou Festas Felizes/Boas Festas), uma saudação mais inclusiva, que engloba as várias festividades, das diferentes culturas e religiões. Para além disso, todas as atividades associadas à época são sempre alusivas aos feriados, como o “Holiday Dinner” e a “Holiday Party”. Quer sejam cristãos, judeus, budistas, muçulmanos, hindus, filiados em minorias religiosas, ateus ou agnósticos, todos são respeitados.

Assim, os “Happy Holidays” incluem vários festejos, religiosos na sua maioria. Destaco alguns exemplos. Os cristãos católicos apostólicos romanos celebram o nascimento de Jesus no Dia de Natal, que acontece sempre no mesmo dia, a 25 de dezembro (do calendário gregoriano). Os cristãos ortodoxos celebram o Natal a 7 de janeiro (porque seguem o calendário juliano). Por sua vez, a comunidade judaica festeja a Festa das Luzes ou Hanukkah, que assinala a reedificação do Segundo Templo em Jerusalém. O Hanukkah dura 8 dias, cujas datas de celebração seguem o calendário lunar usado em Israel. Este ano os festejos decorrem entre 22 e 30 de dezembro, nos quais é típico acender as velas do candelabro (hanukiah) de nove braços. A comunidade hindu festeja entre 21 e 25 de dezembro o Pancha Ganapati, que é um festival vivido em família, para venerar a divindade Ganesha, patrono das artes e da cultura. Sem cariz religioso, a comunidade afro-americanas festeja o Kwanzaa, que é um festival de 7 dias, entre 26 de dezembro e 6 de janeiro, criado em 1966, e que celebra a cultura e a história deste povo.

Nesta época, os convívios sociais nas universidades e locais de trabalho são culturalmente sensíveis e, por isso mesmo, cuidadosamente planeadas. As decorações são gerais, inespecíficas, sem motivos de cariz religioso. A seleção do repertório musical é um desafio, sendo que os organizadores dos festejos preferem torná-los temáticos (por exemplo: “Vintage Holiday Party”), o que facilita e orienta a escolha da música ambiente. Partilho uma experiência pessoal ocorrida quando pertencia à banda musical do Instituto de Ciências Médicas da Universidade de Toronto. Propusemo-nos animar a “Holiday Party”, mas fomos aconselhados a eliminar algumas canções do nosso alinhamento, como a canção “White Christmas” ou “Feliz Navidad”, pela alusão ao Natal. Por sua vez, cantar o “Jingle Bells”, já era permitido.

Quer se celebre o Natal, Hanukkah, Pancha Ganapati, Kwanzaa ou outra festividade, a época dos “Happy Holidays” é, também, uma oportunidade de conhecer novas tradições e reconhecer a riqueza da diversidade cultural e religiosa. Num ambiente de tolerância, compreensão e aceitação, é possível criar um ambiente festivo inclusivo.

Boas festas a todos! Happy Holidays!