“The Nightmare Before Christmas”

Durante a semana “rodou” nas redes sociais deste Funchal solarengo de finais de novembro, a figura conhecida e reconhecida do Grinch, cuja verde cara barbuda ficou, com a idade parecida com a de uma entidade desta urbe. Foi a referência cinematográfica mais em voga sobre quem pretende roubar o Natal Funchalense e torna-lo seu. 

Mas há outro filme, o referido no título, em português “O estranho mundo de Jack”, que tem abreviadamente a sinopse desta última semana:

A "Cidade do Halloween" é governada pelo "O Rei das Abóboras" (Jack) que gosta de ser o centro das atenções. Acidentalmente Jack entra na "Cidade do Natal". Impressionado e invejoso, incute a quadra festiva, “à sua moda”, aos habitantes da "Cidade do Halloween" (que tal como ele, não o percebem). Afirma com alarde: "O Natal é nosso!". Claro que tudo corre muitíssimo mal para quem se pretende apropriar do que não é seu. O filme termina com o Pai Natal a repreender o Jack por ter tentado roubar o Natal e não o perceber de todo.

Como no filme, assim começou (e terminou) na semana passada, a peripécia natalícia, que coincidiu com a certeza da eventual não aprovação do orçamento municipal (hoje se saberá), o que poderá ter potenciado a saga em tudo similar ao filme do irado “Rei das Aboboras” que, por rebendita, quer a todo o custo tornar o Natal seu.

Se há coisa que caracterize o Natal no Funchal são as Barraquinhas do Mercadinho de Natal que junta todos, para comeres e beberes natalícios, num ponto de reencontro anual (e que vai mudando de ambiente ao longo das horas, para as diferentes faixas etárias). As Barraquinhas não invalidam (mais, propiciam) a continuação do convívio junto dos estabelecimentos de restauração e diversão permanentes e que até têm representação nas mesmas Barraquinhas de Natal.

Segundo fakenews cibernéticas (agoirentas), seriam expectáveis mais alterações na Noite do Mercado, outro Ex-libris do Natal Madeirense: encerramento das portas do dito mercado. (Pior! Até se temeu pelo encerramento das missas do parto, o silenciamento das músicas natalícias e a interdição de decorações luminosas. O “catatau”!).

Mas o Natal Madeirense não é passível de ser roubado por quem o não entende porque o que o define é o espírito de partilha, de reencontro, de comemoração, de amizade, fraternidade, paz e amor.

Felizmente, a par desta, outra ameaça pré-natalícia já passou: a “Black Friday” (que passou a “Black Weekend”, “Black Week”, “Black Month”, “Black Dot”, etc). A tentação vertiginosa de obter 50% de desconto no dobro dos preços reais do produto, fantástico! Acredita no Pai Natal? E na “Black Friday”? Já passou, esperemos que para todos, sem estragos.

Ainda nesta época natalícia, se tiver algum tempo disponível, aproveite para ver “O Blackadder” – personagem de uma série de comédia: pouco inteligente, cínico, covardemente oportunista, interessado com a manutenção e o crescimento de seu próprio status e fortuna, independentemente do que o cerca. Em cada série, mostra as suas pretensões e estupidez: as mais ridículas e insanas peripécias da história. É adequado aproveitar o humor das situações, especialmente se o momento mais crítico já foi ultrapassado.

Esta quadra festiva aproveite: faça-se acompanhar dos melhores amigos e familiares, desfrute das iguarias das Barraquinhas de Natal (estejam elas onde estiverem), seguro que o “Rei das Aboboras” não vai roubar o Natal Madeirense, que a “Black Friday” e suas tentações já passaram e que “O Blackadder” perde sempre.