O grande embuste

Não sei bem como começar a expressar estes meus pensamentos sem parecer sectário, mas para falar de uma das forças políticas mais sectárias dos últimos tempos sem ser sectário, é um esforço quase desumano. Falo obviamente do Bloco de Esquerda e seus apêndices como o Livre, que nestes tempos têm assombrado a democracia portuguesa. Pois é caro leitor, é mesmo assombrado, não é ensombrado, os fantasmas com que assustam o povo e a narrativa de terror e de ódio que utilizam no seu discurso, só tem um fim, enganar e tentar refazer a história da nossa ainda imberbe democracia.

Basta estar atento ao conteúdo dos discursos mansos e gentis das manas Mortágua ou da actriz Catarina para depreendermos um pensamento estratégico de assalto à democracia e ao pensamento livre e democrático. Pensas bem, se pensares como eu, fazes bem se fizeres como eu, doutra forma és um reacionário de direita e fascista… não sei se será pior um fascismo de direita ou de esquerda, entre os dois, venha o Diabo e escolha… mas se calhar estas meninas até já o convenceram… ao Diabo claro.

Começaram por colocar o discurso no antagonismo político, direita e esquerda. Moldaram o discurso de tal forma que o PSD passou a ser um partido de direita, mas como é que é possível? Agora que chegou o Chega, se calhar vão perceber finalmente o que é a direita… Claro que a comunicação social, sempre moderna e ligeiramente “sinistra” (em italiano), comprou logo a ideia e começou a difundir este grande embuste. O PSD poderá ser eventualmente conotado com a direita, provavelmente, porque sempre que governa, tem de “endireitar” o país, mas só e apenas por isso. Já Sá Carneiro, sempre atento e sensato, dizia: “Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita”, esta afirmação de 1975 já antevia o embuste que se preparava no panorama político português do século XXI.

Para perceber a profundidade e a perversão presente no pensamento político desta gente, basta consultar os programas dos acampamentos de verão do Bloco, sempre sobre o lema da Liberdade, (a suficiente, claro), mas que não passam de uma lavagem ao cérebro e de um manual de acção política radical e fascizante para os incautos. Encontramos workshops e conferências tais como: “Portugal, não é branco”, pois… então é de que cor? No Google Earth está entre o esverdeado e o amarelado… “Classe contra classe, até á vitoria final! As classes sociais”… este se calhar contou com alienígenas… Temos ainda outras pérolas do tipo, “Política e arte para ocupar as ruas” e esta ainda, que tem tudo a ver com o Bloco, “Pobreza no séc. XXI”, o problema é que não será apenas a pobreza de espírito…

Os anteriores foram exemplos de 2019, se recuarmos às tendas de 2018, encontramos estas preciosidades, “Direito à boémia: necessidade de vida nocturna para produção e radicalização cultural”, se calhar ainda no mesmo contexto boémio e já com uns copitos ou algo mais forte, “Desobediência civil: como, porquê e para quê”… mas sem ponto de interrogação… penso que é mesmo uma afirmação. Sei que já estou a maçar o caro leitor, mas esta preleção de uma das manas Mortágua (uma sumidade) eu não poderia deixar passar: “A propriedade é o roubo: debate sobre a socialização dos meios de produção”… sim, porque socialização é muito mais simpático que apropriação… Estes exemplos que acabei de dar são apenas a ponta do iceberg do funcionamento ideológico do Bloco de Esquerda e quejandos, o resto do “bloco” de gelo que está submerso é ainda mais sinistro (em português) e dogmático, representando uma ameaça séria à nossa democracia.

Felizmente que os eleitores madeirenses souberam entender estes tiques extremistas e disso deram um sinal claro nos últimos sufrágios eleitorais. No entanto, existem outras forças políticas regionais que não se apresentando tão extremadas e radicais, utilizam também um discurso politicamente manso e fácil, o tal discurso das pessoas, que de certa forma inebria. Se no Bloco temos uma actriz como coordenadora, cá no burgo estivemos quase para ter também um “actor” como coordenador desta nova companhia de teatro. Mas entre o vácuo e a demagogia e fazendo agora parte da companhia, lá lhe arranjaram um papel na nova peça em cena, será com certeza um texto trágico-cómico… nada a que não estejamos habituados.