Faz o que eu digo…

A Democracia portuguesa não estava acostumada a ter muitos partidos com representação parlamentar.

O sistema estava acomodado aos mesmos e , de quando em vez a um ou outro emergente , que elegia um deputado “fora da esquadria”.

Desta vez as eleições legislativas ditaram uma composição parlamentar com 9 forças políticas.

Uma maçada, já se percebeu.

Para um Parlamento amarrado ao mesmo modo de funcionamento, ter partidos novos, ainda por cima com pessoas que ficam pouco caladas, parece ser um aborrecimento para algumas forças políticas.

Assim, no pais onde tanta gente enche a boca com Abril, tantos e tantos berram (literalmente) pela liberdade, pelos direitos, pela Constituição, e blá, blá, por aí a diante, nada poderia ser tão irónico como o ridículo a que assistimos na semana passada.

O Partido Socialista, o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda recusaram dar a palavra aos três deputados eleitos - no debate quinzenal com o Primeiro Ministro!

Logo estes três.

Os que têm Abril sempre debaixo da língua. Os que arrancam cabelos pelos direitos. Os que dão a roupa do corpo em troca da liberdade!

De repente, uma coisa que já foi aceite no passado, quando o PAN tinha só um deputado e foi aberta uma exceção para que pudesse falar nesses debates, agora é impossível!

Porquê? Porque o regimento não permite e só depois de alterado é que poderão falar – dizem os três camaradas!

Alguém de juízo compreende tamanha falta de vergonha?

Acabam de transformar o Chega, o Livre e a Iniciativa Liberal em vítimas, só porque não lhes querem dar uns minutos de intervenção.

Mas cabe na cabeça de alguém que partidos eleitos sejam impedidos de falar no Parlamento, num debate com o primeiro ministro, só porque as regras que existem são antiquadas e feitas para outro tempo?

E se já no passado foi aberta uma exceção, com um entendimento dos partidos na conferência de líderes, para um partido que estava na mesma circunstância de ter só um deputado eleito, como não foi a Assembleia da República capaz de alterar o regimento nos quatro anos que passaram, para prever e enquadrar esta eventualidade?

É amadorismo a mais.

Mas útil para percebermos todos a verdadeira natureza “democrática” dos socialistas, dos comunistas e dos bloquistas!

Abril sempre! O Abril deles!