Como chegamos aqui

Às vezes paro para pensar em como cheguei aqui. O meu percurso durante os trinta e cinco anos da minha existência até ao preciso momento em que escrevo estas linhas. É um exercício deveras interessante e ao mesmo tempo de alguma mágoa, de pensar que nasci, talvez, no sítio errado, na hora errada. Gostava de ter nascido em Berlim e ter vivido a queda do muro, de ter crescido no nordoeste americano e assistido ao boom da música alternativa, e por aí fora, depois penso que na realidade não gostava de ter lá estado fisicamente, mas sim espiritualmente. Gostava, sim, de ter uma melhor compreensão do que se passou e se viveu que a história não nos dá.

Sou daqueles que defende a teoria de que a história tende-se a repetir, poderá não ser no mesmo lugar mas a mesma consegue completar o circulo e voltar a mostrar que nós, enquanto seres supostamente inteligentes, não conseguimos compreender o que ela quer dizer e os erros que fizemos no passado voltarão a ser repetidos mas, como a própria história ensina, o resultado será o mesmo. E talvez seja por isso, o de não querer voltar a cometer os mesmos erros, eu gostava de estar lá para perceber o que nos levou a isso.


Adeus mundo...

O mundo geopolítico como conhecemos está cada vez mais em chamas. Lembro-me de há tempos ter escrito nestas páginas um segmento de uma crónica com o título “Brasil a ferro e fogo”, foi na altura pré-prisão de Lula, pós-impeachment de Dilma e saída da gravação que deitou por terra o Tremer e que levou ao povo brasileiro dizer chega. Entretanto já com Bolsonaro como presidente, a economia brasileira tende a não crescer, a insegurança tem aumentado e as polémicas também, isto tudo com Lula preso. Agora com Lula solto o Brasil volta a ficar a ferro e forro, mas por outros motivos a que a Madeira não pode olhar para o lado, nem Portugal, nem Europa. A bipolarização já existente no Brasil irá tender-se a agravar com duas fações, os de Lula e os de Bolsonaro, o que levará a uma corrente de fanatismo crescente a brincar com o limiar do fanatismo, algo que já se observava nos Estados Unidos da América com os Republicanos/Democratas. Por cá também teremos isso, após a absorção do CDS/PP pelo PSD a bipolarização aumentou drasticamente de tom, com os rosas e os laranjas de cada lado.

Espanha também não está melhor. O PSOE venceu as eleições, mas continua sem mão para governar, a crescente linha de extrema-direita, que anda em crescendo na Europa manteve a tendência nos “nuestro hermanos”, foi a terceira força mais votada. As repercussões são para já o aumento de manifestações na Catalunha e o aumento dos movimentos independentistas que até há pouco tempo andavam dormentes, exceção feita ao caso já mencionado, exemplo disso foi a eleição de um deputado do movimento Teruel Existe, que só existe em Teruel.

Entretanto na Bolívia está a ocorrer um golpe de estado militar, Evo Morales demitiu-se, por alegada fraude nas eleições. Curiosamente o adversário de Morales nas eleições recusa-se a novas sobre a supervisão internacional. Mas o caso da Bolívia só vem aumentar a tensão que se vive na América do Sul, ora vejamos: no Peru o presidente dissolveu o congresso, nas Honduras o presidente é suspeito de receber suborno dos traficantes de drogas, o Chile esteve/está em estado de sítio, as manifestações no Equador aumentam e a Venezuela está no estado que todos nós sabemos. E eu pergunto-me, o leitor leu, viu alguma coisa sobre este assunto? Ou sabe como chegamos aqui?