O “voto útil” inútil

Volto aos meus artigos de opinião no JM depois de um interregno causado pelo meu empenho nas últimas eleições.

A Madeira é um caso de estudo, infelizmente não pelos melhores motivos. Primeiro, os 43 anos do mesmo partido, situação completamente inimaginável em qualquer outro local onde exista democracia com eleições por sufrágio universal ou livre, já sabendo nós os motivos porque aconteceu e quais as consequências que nos trouxe. Segundo, o massivo “voto útil” no partido socialista que secou todos os partidos da oposição atirando inclusivamente para fora do parlamento regional o BE e o PTP, destruindo o grupo parlamentar da CDU, reduzindo a JPP de 5 a 3 deputados, e impedindo o PAN de eleger qualquer candidato. A estrondosa derrota do CDS, que se viu reduzido de 7 para 3 (!) paradoxalmente transformou-se numa vitória uma vez que ficou com “a faca e o queijo nas mãos” da governação. Porém já nem é sequer o “partido do taxi”, porque se alguém souber conduzir todos cabem num tuc-tuc. Tudo isto fez reduzir a riqueza da diversidade (ao contrário do que aconteceu, por exemplo no continente, verificando-se a entrada de 3 novas forças políticas) tornando assim a ALRAM ainda mais pobre. Temos hoje um parlamento “monocromático” em que apenas 4 dos 47 deputados não pertencem ao chamado “arco do poder” (!), dividido apenas em duas grandes fações.

Este resultado obteve-se pela armadilha do “voto útil”. Muitos dos eleitores que habitualmente votam noutros partidos, cansados desta (des)governação do PSD, e sobretudo do tráfico de influência que fomentam há mais de 43 anos, votaram desta vez no PS numa tentativa desesperada para parar este estado de coisas. E disto o que resultou? Absolutamente nada. Ficámos ainda pior do que estávamos! Ainda por cima tal não era necessário: se cada um votasse na força política da sua simpatia, esse efeito poderia ser obtido na mesma uma vez que aquele teria que se coligar com os restantes, tal como aconteceu no continente na legislatura que findou.

Para o PAN Madeira estas eleições foram uma derrota, não há como escondê-lo, e isto apesar de termos voltado a afirmarmo-nos como um partido a ter em conta em qualquer uma das consultas populares que venham a ter lugar no futuro. E as causas que defendemos, com a nossa ausência do parlamento ficaram ao “Deus dará”, com a agravante de que a defesa dos animais de companhia (e apenas destes, uma vez que só nós nos preocupamos com todos sem exceção) ficou mais pobre com a saída da Drª Sílvia Vasconcelos, e o desaparecimento do BE (para o qual muito contribuiu o afastamento dos Drs. Rodrigo Trancoso, e Roberto Almada), deixou a salvaguarda das boas práticas ambientais sem qualquer tipo de proteção, uma vez que este defendia algumas das ideias que também partilhamos.

Quanto ao PAN Madeira, voltará, mais forte do que nunca, esperando que da próxima vez não exista “voto útil” inútil e que os madeirenses que acreditam nas nossas causas sentem definitivamente a Terra no parlamento regional e deem voz a quem não tem.

 

João Henrique de Freitas escreve
à segunda-feira, de 4 em 4 semana