A Bienal de Arte em Veneza e a nova desordem mundial

Realizou-se este ano a 58ª Bienal de Arte em Veneza, com três níveis, a exposição central, os pavilhões nacionais e muitas exposições espalhadas pela cidade, com um título “May You Live in Interesting Times", o que não significa esconder um tema mas um augúrio ou um apelo.

Estiveram presentes mais de 150 artistas vindos de todo o mundo, as senhoras tiveram  o mesmo número dos homens, eram todos artistas profissionais, convidados cada um a criar duas obras diferentes. Algumas escadas  faziam pensar na bíblica escada de Jacob,  nas quais subiam e desciam figuras suspensas como anjos. Nos pavilhões nacionais encontravam-se contributos  interessantes do México, Austrália, Brasil, Dinamarca, Gana, Lituânia, tendo esta vencido o Leão de Oiro.

Nas exposições dispersas, que se integram  na história da cidade sob o aspeto artístico e cultural, encontram-se nas igrejas,  sinagogas,  museus,  bibliotecas, .nas escolas e vários palácios. Na Bienal de Arte  de Veneza não entram temas marginais, nem política, nem tendências sobre a moda, nem mesmo publicidade populista, interessa somente a arte enquanto arte,  a beleza que salvará o mundo, para tornar possível uma compreensão  complexa do universo  criado por Deus.

Estará a Europa num clima de paz e bem estar para apresentar um ambiente de beleza  como reflete esta Bienal ou  a realidade não será a de uma emergência climática?

Em 26 de abril de 1986, numa central nuclear de Lenine, junto à Ucrânia e a Bieloruussia, um reator teria, involuntariamente, explodido, quando queriam desliga-lo, foi classificado como o maior desastre da história da humanidade, o seu nome horroriza-nos –Chernobyl, o grande Apocalipse, cujas radiações provocaram mais de 16.OOO mortos por cancro, embora as cifras sejam divergentes. É uma realidade criada pela mão do homem, que fugiu ao controlo e levou a um diálogo entre política e a ciência. Quando um reator nuclear  produz energia elétrica é um facto benéfico, quando foge  ao controlo humano é uma desgraça horrível.

A ordem mundial liberal criada após a segunda guerra mundial, segundo muitos pensadores está a degradar-se e, muito rapidamente, dum modo especial a ocidental que  atravessa uma crise  de governo responsável. Tratados e acordos realizados, colisões governativas outrora fortes, são agora discutidos, os programas internacionais para  operar de uma forma eficaz, não têm fundos nem os  consensos  necessários. A Grã Bretanha não chega a acordo sobre a saída da União Europeia, esta que foi o resultado de uma importante  ordem mundial liberal, é posta em discussão; os Estados Unidos de uma forma unilateral abandonam várias negociações, li recentemente que os E.U.A. formalizaram o pedido para saírem do Acordo de Paris, sobre o clima. A colaboração internacional sobre questões globais são recordações pálidas do passado. O rescaldo global, subida dos mares, desaparecimento de glaciares, desertificação e condições climáticas graves, tornam-se sempre mais difíceis de uma aceitação comum- O número de prófugos no Mediterrâneo cresce em vez de diminuir, os acordos vinculantes sobre refugiados e migrantes assinados em Marrakech, Marrocos, são  hoje uma longa lista de desejos, países com a tradição de acolhimento como Estados Unidos, Austrália e União Europeia adoptaram políticas para limitar o número de ingressos. Os cristãos são obrigados a deixar  a maior parte do Médio Oriente.

Nem tudo está perdido, talvez que  um passo importante para uma futura ordem mundial, fosse  um novo acordo de Helsinki, numa escala global. É necessário afastar o terreno no qual floresce a chamada “cultura apocalíptica”, o Anticristo, fim da civilização, uma nova época de bárbaros, o fim do mundo e da civilização. Como diz o Papa Francisco,” à luz da fé cristã, não existe casualidade, não virá o caos !”