Cocó, ranheta e facada

Nunca esta expressão foi tão actual. A época é disso mesmo.... Vamos por partes.

Devem andar por aí muitas viroses. Depreendo isto pelo que ouço do meu pai no pouco tempo que passo com ele. É raro o dia em que almoçamos e ele não faz consultas via telefone (espécie de saúde 24). Ultimamente a pergunta é “e o cocó? Está molinho?”. Nada contra. É para o diagnóstico. Pessoalmente não me incomoda, mas um dia destes pode estar alguém à mesa que não seja tão forte de estômago.

De ranhinho, tive já eu a experiência. Por estes dias até pensei que tinha a filha do Maradona dentro de casa. A minha do meio, snifava de 3 em 3 segundos. Coitada. Felizmente já está melhor. Mas tive que ligar ao Dr do “cocó molinho”. Não sei se estava com gente à volta, mas perguntou-me: “é verdinho?”. Escusado. Já nem o ranho é do Sporting.

Facadas por mais do que um motivo. Para além do presidente ter dito que um político se devia assemelhar a um elefante (já vi muitos camelos que armazenam tudo nas bossas, mas elefantes poucos) por estes terem boa memória, nariz inquisitivo e pele grossa para perspectivarem e eventualmente resistirem melhor a facadas. Também alguns relacionamentos têm acabado em furos onde antes não existiam.

Dei então por mim a pensar o que pode levar uma pessoa a matar outra. Não é que eu não tenha tido já vontade de o fazer. Não ponho, sequer, de lado essa hipótese.   Aliás, desde que me tornei pai, sinto o meu potencial assassino cada vez mais apurado.   Bastaria, para isso, que fizessem muito mal aos meus filhos.... Conhecendo-me como me conheço, acredito que não iria esperar pela justiça. Eu sei que se costuma dizer que esta tarda, mas não falha. No entanto, tenho visto muita perder-se pelo caminho... E pelo sim pelo não, resolvia logo o assunto e descarregava a minha consciência.

Mas matar por dinheiro? Matar por poder? Matar por bens materiais? Não me leva a crer, de todo, que seja uma boa ideia... Já matar por mau sexo parece estar na moda!   Antigamente (e penso que ainda hoje em dia), quem não estava satisfeito com o/a parceiro/a oferecia-lhe, sem esperar pelo Natal, uns apêndices duros com extremidades pontiagudas para serem colocados a meio da testa. Vulgos chifres.   Arranjavam outro/a! E a vida seguia.

Ultimamente o castigo é outro! Mais sofisticado. Nada mais nada menos que uma plástica. Os descontentes armam-se em cirurgiões. Calçam umas luvinhas, afiam o bisturi ou algum outro objecto cortante e põem mãos à obra... Tiram de um lado.   Cortam do outro. Rasgam daqui. Puxam dacolá... Tudo sem anestesia! E no final rezam para que ninguém dê por eles. Um pouco como no sistema nacional de saúde.

Curiosamente estes últimos casos mais badalados têm sido praticados por homossexuais.... Ora bolas (bolas neste caso até soa bem). Lá vai, outra vez, por água abaixo todo o esforço dos fofos.... Era uma vez as paradas e os arraiais. Não por mim.   Mas pelo alarme que este tipo de crime provoca. Vejam lá que até tive um amigo meu que me questionou se eu não achava que as seguradoras deviam incluir a homossexualidade como factor de risco. Sinceramente não sei... Mas uma coisa é certa. Quem tem cu, tem medo! E mesmo que ainda existam muitos relaxados, vários devem andar apertadinhos!

Até eu. Que pessoalmente já me sentia muito mais solto. Mais dado. Vou voltar para o armário! Só saio quando houver paz e amor...

Mas dos verdadeiros. É que isso de vir dizer, quando os malogrados vão a sepultar, que estava tudo bem e nada fazia prever, já me mete aflição.

Se há coisa que me satisfaz é chegar a casa e perguntar à minha mulher “como estão as coisas?” e ouvir um “tudo mal Pedro, tudo mal!” ... Uffaaa! Sempre posso preparar a roupa para o dia seguinte. Prevêem-se mais 24h do lado de cima do chão...

Se bem que um destes dias distraí-me e deixei a apólice de seguro de vida em cima da mesa. Ainda por cima era um daqueles dias em que estava tudo bem... Ao mesmo tempo que eu tentava desviar a atenção e tirar-lhe a carta da mão, ela viu o valor a que teria direito em caso do meu “desaparecimento”. Ao fim de um som esquisito (qual caixa registadora qual quê) acompanhado por um olhar vago de quem está a fazer contas de cabeça, saiu-se com um ameaçador “e não dizias nada?!”. Só tive tempo de anular o seguro... E jogar fora o faqueiro! Depois sentámo-nos e conversámos. Eu dizia-lhe que dinheiro não traz felicidade. Ela retorquia que tristezas não pagam dívidas...

Acabei por dar-lhe razão. “Nem tristezas nem o União” ...

 

Pedro Nunes escreve
ao domingo, de 2 em 2 semanas