Rescaldos

A FORÇA DO VOTO
EM BRANCO

Foram meses afogados em slogans, e pós-missas, e  tascas, e romarias, e apelos, e debates…

Metade dos eleitores, porém, nem foi depositar a escolha. Contudo, terão a lata de desancar nos eleitos, quais treinadores de bancada, que mais não fazem do que derrubar opções,  sem valorizar o esforço de quem faz.

Por isso, porque é dever cívico, defendo que deveria ser obrigatório o dever de votar.

Vote como quiser, em plena liberdade, mas vá lá e deposite a sua escolha.

Não comparecer, não é não tomar partido por nenhuma das opções em presença.   Não comparecer é cobardia, é desleixo, é sobranceria, é renúncia ao uso de ter opinião.

Tornando o voto obrigatório, já que teriam de exercer o ato de votar, muito mais pessoas estariam atentas aos programas, às propostas, aos debates.

Desta forma, e só desta forma, em meu entender, poderia  dar-se peso e valor ao voto em branco. O voto em branco é uma arma.

Se a maioria dos votos expressos for em branco, não será de todo descabido anular o ato eleitoral.

Mas só comparecendo ao ato eleitoral, o voto em branco poderá ter tal sentido e poder.

As forças concorrentes teriam outra cautela e sensibilidade, ao saberem que, se nenhuma apresentar programa que conquiste o merecimento do voto, todas sairão perdedoras, correndo o risco de a nenhuma ser atribuída a possibilidade de governar.

A abstenção, a escolha de não comparecer, não pode ter esta consequência, porque pairará sempre a ideia do desinteresse e não da opção de revelar discordância.

Voto obrigatório é urgente. Aí, todos os votos contam, incluindo os votos em branco.

Votar em branco é manifestar expressamente uma opção.


POSSES E COMPENSAÇÕES

Outubro foi mês de posses e arranques de parlamentos.

A nível nacional, foram as recompensas, um elenco governativo anormalmente alargado, chamados os fiéis servidores, um tom monocórdico e com sabor a sobranceria…


COLIGAÇÃO É ATO DE HUMILDADE

Por cá, a coligação juntou projetos diferentes.

Para que resulte, tem de haver abdicação, aproximação, renúncias, definição de prioridades, sem pretensão de domínio.

Claro que é a oportunidade de minorias terem força e voz. Mas é, fundamentalmente, o debate alargado de ideias e programas. Implica a entrega de lugares e posições, a discussão de projetos que passam a ser comuns. É aprendizagem e prática permanente da convivência democrática.

Coligar-se é um ato comum de humildade.

Se não for, não resultará.

Espero sucesso para a opção tomada, com uma oposição credível e eficaz.

Todos ganhamos com isso.


MUNICÍPIOS MENOS DEVEDORES

Municípios, todos, diminuem dívida.

Boa notícia. Todos! Havia alguns a se considerarem únicos, excecionais. Não há únicos. Há a generalidade.

Porque as condições são favoráveis, as normas não foram alteradas  a meio de mandatos, como em passado recente, deixando no ar a confusão e conflito de opções tomadas, que não puderam prosseguir, porque lhes tiraram meios.

Todos empenhados, beneficiando de heranças recebidas, quer nos montantes negociados por antecessores, quer no fim de isenções, usufruindo de juros favoráveis, dum governo central colaborador, duma economia geradora de receitas, de novas taxas e tarifas, ei-los a desempenhar uma função diversificada, com algum desafogo.

Continuem.

Mais uma vez, todos ganhamos com isso.

 

José Alberto Gonçalves escreve
ao domingo, de 4 em 4 semanas