Farmácias, num Sistema de Saúde de Todos e para Todos

As Farmácias são o aliado do sistema de saúde no que à proximidade diz respeito, pela sua capilaridade, reflectida na localização geo-demográfica ímpar, permitindo a assistência às populações, de profissionais de saúde capacitados e com as competências necessárias para dar a melhor resposta às situações apresentadas.

Esta capilaridade da rede de Farmácias permite a verdadeira equidade na assistência às populações, observemos que o nosso país apesar de pequeno e com uma população também ela reduzida, sofre de assimetrias claras, mas que no caso da rede de Farmácias não existe. Este “braço longo do SNS”, frase proferida pelo pai do SNS António Arnault, não se trata de lirismo bacoco, nem simpatia cortês, mas visão estratégica de um Homem com um sonho, o de um sistema que fosse de todos e para todos, em que existe reconhecidamente um potencial enorme nesta rede de resposta em saúde, e que o aproveitamento da mesma é, não uma possibilidade, mas sim uma necessidade, uma forma simples de esbater as assimetrias do país e um contributo do tecido empresarial privado provendo um serviço público.

Felizmente a realidade, vem asseverar esta visão, de António Arnault, com a portaria 97/2018 de 9 de Abril, que veio actualizar e reforçar a lista de serviços farmacêuticos que podem ser prestados em Farmácias, Portaria n.º 1429/2007, de 2 de Novembro, na qual foi introduzida a possibilidade de consultas de nutrição, em que a própria Ordem dos Nutricionistas de uma forma independente e acima de tudo inteligente redigiu a Norma de Orientação Profissional para a “Atuação do Nutricionista na Farmácia Comunitária”, validando desta forma a pertinência e mais-valia desta nova valência, observemos que de acordo com INSEF 2015 realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, quase 60% dos portugueses apresentavam excesso de peso ou obesidade, e sabemos bem que a prevalência da Diabetes nas pessoas obesas é cerca de quatro vezes maior do que nas pessoas com IMC normal e 90% da população com Diabetes apresentar excesso de peso (49,2%) ou obesidade (39,6%) PREVADIAB.

Outro serviço de mais-valia inquestionável é o da vacinação prestado por Enfermeiros e Farmacêuticos, este ano é expectável que se vacinem nas Farmácias 650mil pessoas contra o vírus gripe, mais 125mil que na época passada, na qual ocorreram 3331 óbitos (Programa Nacional de Vigilância da Gripe na época 2018/2019), esta é mais uma medida exemplo de prolongamento do Sistema de Saúde, no entanto existe ainda um elevado potencial, observemos o exemplo do Canadá em que das 10 províncias e 3 territórios, em 9 a vacinação da gripe é administrada em farmácias (coordenada com o sector público), por exemplo em Ontário o “Universal Influenza Imunization Program” o estado cede à farmácia a vacina da gripe para os grupos elegíveis e remunera a sua administração em $7.5, tendo sido realizados estudos de impacto financeiro validando a medida com um impacto positivo de 2.3milhões de dólares, por diminuição do absentismo laboral e baixa produtividade (Economic analysis of pharmacist-administered influenza vaccines in Ontario, Canada), este é um dos caminhos a seguir estou certo numa politica racional e de encontro ao sonho do pai do SNS. A RAM pelas suas vicissitudes seria o local perfeito para testar esta medida, e outras como, a intervenção farmacêutica na desabituação tabágica ao desenvolver um sistema coordenado (pelo SRS), multidisciplinar de acompanhamento e motivação, outro seria por exemplo a criação de uma rede SBV-DAE nas Farmácias… Importa sem dúvida sonhar e observar uma visão estratégica de futuro que explore ao máximo o potencial das Farmácias para a Saúde de Todos e de cada Um!