Viver cada dia como se fosse o último...

Costumo dizer muitas vezes: “Devemos viver cada dia como se fosse o último, com a responsabilidade de vivermos ainda mais 50 anos”. Sim, pode parecer cliché.

Sim, pode parecer irreal, mas a verdade é que cada dia é uma dádiva e nunca sabemos quantas mais dádivas dessas vamos ter, ou se esta será a última. Sim, devemos viver cada dia como se fosse o último, no sentido de aproveitarmos tudo o que a vida nos dá, de apreciarmos as pequenas coisas que nos vão acontecendo ao longo do dia (e muitas vezes nem nos apercebemos!), de nos darmos ao luxo de sorrir (coisa cada vez mais rara na nossa sociedade!), de não deixarmos para o dia seguinte aquele abraço que queremos dar, de não continuarmos a adiar aquela chamada àquela pessoa que dizemos ser amigos…porque um dia será tarde demais!

Viver cada dia como se fosse o último pode gerar crenças de que se devem fazer loucuras, gastar dinheiro indiscriminadamente, entre outras barbaridades associadas a essa expressão. Mas o acréscimo de “…com a responsabilidade de vivermos ainda mais 50 anos” traz um novo significado a essa expressão. Viver bem hoje, sem arrependimentos do que poderíamos ter feito e não fizemos, com a responsabilidade de amanhã seguirmos os mesmos princípios, fazendo com que cada dia seja ainda melhor que o anterior vai, sem dúvida, fazer a vida realmente valer a pena! Mas parece-me que esta ideia permanece pouco tempo nos objetivos de quem alguma vez tenta colocá-la em prática. Infelizmente…

As correrias e o stress do dia-a-dia fazem parecer impossível viver cada dia em plenitude, como se realmente fosse o último. A maioria das pessoas vai-se arrastando pela vida em rotinas a que já se habituaram, mas que em felicidade nada lhes acrescentam. “É assim que tem de ser, não posso fazer nada para mudar”, dizem. Nada mais errado! Podemos sempre fazer algo para melhorarmos um pouco a forma como vivemos, a forma como passamos neste mundo maravilhoso, onde podemos deixar a nossa marca! E não são precisos grandes feitos. Basta melhorar de alguma forma a vida de alguém, nem que seja com um cumprimento na rua ou no elevador, nem que seja um sorriso empático com uma pessoa que nos pareça mais triste. Se conseguirmos ter um sorriso de volta, a felicidade que sentimos vai preencher-nos o dia. Sim, parece utópico, mas tentem. Tentem sorrir para um desconhecido e saudar e apreciem o que sentem se receberem o sorriso e o cumprimento de volta! Não custa dinheiro, não perdemos tempo, marca positivamente a vida de alguém e também a nossa vida! E algo que parece tão banal vai ajudar ao sentimento de que estamos a viver bem, e, se esse fosse o nosso último dia, teríamos feito algo que nos preencheu de felicidade. Esse último dia já teria valido a pena!
  Já reparei que muitas pessoas olham para mim com estranheza por cumprimentar estranhos no elevador ou mesmo em locais públicos onde me cruzo mais ao perto com as pessoas, por chegar a uma sala mais ou menos cheia e saudar os presentes. Mas isto para mim é natural e faz-me encontrar mais sentido na minha vida. Quem sabe se a minha saudação não foi a única que alguém teve no seu dia?
  São coisas aparentemente insignificantes que fazem um dia mais valer a pena, são essas coisas (também) que me fazem sorrir e que dão mais significado á minha vida. São pequenos gestos humildes e sinceros que me fazem viver cada dia como se fosse o último. E é tão bom viver com um sorriso que se partilha!

 

Lúcia Ferreira escreve
ao domingo, de 4 em 4 semanas