Conversa da boa que poucos aCATam

A semana foi pródiga em conversas/debates sobre o Turismo, com relevo particular para a Conferência Anual (CAT) promovida ontem pela Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Economistas.

É inquestionável que a CAT tem tido o mérito de colocar em cima da mesa temas pertinentes para o setor turístico. Ideias que causam sensação, sobre temáticas estruturantes como a mobilidade área ou marítima, o aproveitamento da Cultura em prol do turismo como marca identitária do nosso destino. Já se discutiu (quase) tudo, até as pessoas que nos visitam, bem como as nossas cidades ou o agora em voga aproveitamento do mar como parte (realmente) integrante do tecido económico da ilha.

O Mar, convenhamos, foi debatido na CAT em 2013, o transporte aéreo – se bem que seja assunto transversal ano após ano – ganhou honras de destaque em 2009 e, desde então, foram pouco efetivas as medidas públicas às necessidades apresentadas pelos privados.

Mais do que desfilar pessoas, as declarações de interesse dos agentes económicos nas Conferências do Turismo deveriam suscitar ações específicas, capazes de corresponder às preocupações do mercado, reequilibrando a oferta com a procura, sob pena de estarmos a desperdiçar um ‘brainstorming’ ímpar sobre a realidade de um destino que enfrenta tempos de mudança.

O documento estratégico patrocinado pela ACIF para o turismo madeirense, que parece já esquecido, é mais um exemplo entre muitos do desperdício de estratégias que ganham expressão teórica, mas raramente são colocadas em prática.

Mais do que pensar na lógica do ‘all inclusive’, a Madeira precisa de alguém que pense no todo regional, que fure com o preconcebido e avance para as ofertas programáticas que tenham efetivo retorno para a economia madeirense, ‘tocando’, nomeadamente, os pequenos empresários, quase sempre deixados à sua sorte. Os programas de férias desportivas, ambientais, exploratórias, etc., com preços equilibrados, poderiam ser o sinal que o mercado precisa, inclusivamente para alargar o tempo médio de estadia, que nesta altura está fixado em apenas cinco dias.

Desta feita, o pontapé de saída incidiu nos mercados emissores. A este nível é indisfarçável que o peso dos mercados britânico e alemão dificilmente será contornado a médio prazo. Também por isso, porque os ‘ovos’ parecem estar todos neste ‘cesto’, impõe-se trabalhar outros mercados, abrindo caminho para a promoção diferenciada noutros países. ‘Vender’ a Madeira sempre da mesma forma, mesmo com os prémios de ‘Melhor Destino’ a surgirem em catadupa, é ‘chão que já deu uvas’.

O marketing digital, por demais aflorado por quem percebe do assunto, é igualmente fundamental numa era cada vez mais tecnológica, em que a internet, que tanto de bom trouxe, abrindo ‘portas’ que pareciam inalcançáveis, também tem o seu lado perverso nas faixas etárias mais novas.

A Educação na Madeira tomou recentemente o passo de estudar o peso da internet nos jovens, numa era de vícios, é certo, mas nenhum tão forte como este, segundo garantem os próprios jovens em recentes estudos divulgados.

A internet é hoje uma droga insaciável para muitos dos nossos adolescentes, que passam horas a fio agarrados aos écrãs. Também por isso, depois do estudo encomendado, apresenta-se outro desafio: para quando a proibição da internet nos intervalos das escolas? E até que idade?

O problema merece reflexão.