O arrefecimento do mercado, não é uma surpresa!

O mercado imobiliário dá sinais de um abrandamento e isso deve-se em muito pela falta de stock de imóveis novos no mercado. Se por um lado existe uma clara falta de imóveis novos, por outro verifica-se igualmente que muitos dos imóveis disponíveis no mercado não correspondem às necessidades e possibilidades das famílias portuguesas.

No segundo trimestre verificou-se uma diminuição no valor das casas de 5,5%, contudo face ao período homólogo assistiu-se a um aumento de 8,5%. Verificou-se ainda uma quebra na venda de imobiliário de cerca de 7,9%, face ao primeiro trimestre, mas uma vez mais face ao período homólogo o que se verificou foi um aumento de 8,1%. Dos cerca de 736 imóveis transacionados no segundo trimestre do ano, 78% foram vendas de imóveis usados e 22% de imóveis novos. Estas cerca de 736 transações, corresponderam a um valor de 97,8 milhões de euros, uma perda de 5,5% face ao trimestre anterior, mas com uma subida de 8,5% face ao período homólogo.

O valor médio do imobiliário na Madeira foi de 1.205€/m2, o que traduz um aumento de 0,7% face ao trimestre anterior e de 4% face ao período homólogo. De salientar ainda que o valor médio dos imóveis novos foi de 1.333€/m2, valor que continua a ser superior ao valor dos imóveis existentes 1.170€/m2.

No município do Funchal, o preço médio do imobiliário no 2º trimestre foi de 1.558€/m2, um valor acima do valor médio da região, sendo que o funchal ocupa o 11º lugar dos municípios com o valor médio mais elevado.

Existe uma necessidade de reajuste nos preços dos imóveis, os clientes potenciais compradores, até mesmo os estrangeiros, começam a ser mais cautelosos e a avaliar cada vez mais o mercado e os valores do imobiliário. Por isso é fundamental que haja mais realismo e um ajuste dos preços do imobiliário, à realidade do mercado.

Este ajuste deve também ser realizado com a introdução no mercado de imóveis novos, se o mercado conseguir criar imóveis para colocar à venda, o ajuste dos preços também se fará naturalmente por esta via.

Hoje existe uma grande necessidade de imóveis para fazer face à atual classe média, e média-baixa, por isso o mercado deve responder a esta enorme necessidade com a criação de novos empreendimentos, que vão de encontro a este nicho de mercado.

O mercado de vendas de imóveis a estrangeiros continua a crescer. Em 2018 esse crescimento foi de 14,5%, e no primeiro semestre de 2019, continuamos a assistir a um ligeiro aumento da procura por parte do mercado estrangeiro.

Como é sabido uma das alavancas do crescimento económico da região tem sido o setor imobiliário, e os dados do segundo trimestre demonstram que a economia regional continua a crescer, embora de forma menos pronunciada.

É preciso continuar a criar condições para que o mercado imobiliário continue a sua trajetória de crescimento, e potenciar o turismo do investimento imobiliário.