Para onde caminhamos

No rescaldo das legislativas ficamos a saber a constituição do novo Governo da República. Se não contarmos o primeiro ministro que adora a expressão “Não Sei”, teremos um governo baseado na numerologia erótica, o que poderá significar que os portugueses estarão tramados, esperemos que o país não volte ao estado em que ficou nos tempos do Sócrates.

Uma nomeação captou a minha atenção, a nova ministra da administração pública. Não acredito que seja um bom augúrio para os funcionários públicos, uma vez que enquanto secretária de estado de educação foi o carrasco do tempo de serviço dos professores, por birra sua não foram repostos os 9A4M2D aos colegas do continente. Como tal foi premiada com a revisão das carreiras públicas, o seu prémio será decerto um ataque aos funcionários públicos.

No que respeita ao ministério da educação, nada de novo. Mantém-se um ministro inexistente, um secretário de estado que gosta de fazer reformas das suas próprias reformas e foram ainda buscar uma jurista cuja única proximidade com a educação foi a de ser autarca. Nada de promissor emerge no horizonte educativo, aliás pelo contrário.

Ao analisar o programa de governo para além de um conjunto de palavras vazias de sentido para o contexto educativo, encontramos afirmações que pressupõem o ressurgimento de velhas teorias geradoras de conflitualidade entre profissionais, (pág. 25) “reforço e valorização das funções de direção das escolas, incluindo as chefias intermédias”, será o prelúdio do renascimento dos professores titulares?

Na mesma página temos ainda referência a um programa de digitalização das escolas, o que é isto? Um novo programa tecnológico de educação, se sim, será bem-vindo desde que não se recorra a esquemas de promoção política e hostilização dos professores, como aconteceu no passado. Ainda durante a leitura deste programa de governo fiquei pasmado com o desplante de apresentarem a medida de “reforçar a orientação vocacional dos alunos” (pág. 143), ora esta medida esteve a funcionar, com sucesso, durante o governo de Passos Coelho, mas descontinuada pelo atual Secretário de Estado da educação por ser discriminatória.

Enquanto isto acontece, por cá temos o PS a insistir na gratuitidade da educação, que gradualmente e de forma sustentável está a acontecer, no quinto ano nenhuma família pagou manuais. Por outro lado, temos o líder do SPM num namoro ao PS e a congratular-se no DN com o facto de o número de deputados professores, no parlamento regional, ser o maior de sempre. Se calhar almeja que façam na RAM o trabalho que a si compete enquanto sindicalista e enquanto se passeia em manifestações no continente.

Faço votos para que a educação viva durante esta legislatura alguma paz social, para que consiga enfrentar o desafio de orientar os alunos para um futuro cada vez mais exigente.