Círculo “Fora da Europa”

Na política portuguesa, o termo “fora da Europa” já demonstra, de forma inequívoca, a diferenciação no tratamento das questões relacionadas aos cidadãos que optaram, ou não, por viver em outros países situados fora do Continente Europeu, havendo, inclusive, um círculo eleitoral específico com esta denominação, círculo este que o Partido Socialista, depois de 20 anos, conseguiu conquista nas últimas eleições legislativas e que, agora, pela primeira vez na história, possibilitou a eleição de um deputado nascido neste círculo da emigração, devido à nova legislação eleitoral.

Entrementes, cabe refletir se esta denominação: “Fora da Europa” não seria discriminatória em relação àqueles que hoje contribuem, anualmente, com cerca de 2% do PIB de Portugal e que, desde o século passado, colaboraram significativamente para a “poupança nacional”.

Na nossa Diáspora, a maioria dos nossos compatriotas emigrou por razões alheias à vontade, entretanto existem vários casos de cidadãos que optaram por buscar oportunidades em terras “além mar”, sendo que alguns alcançaram o sucesso, constituindo empresas e formando grande riquezas, entretanto, nem todos tiveram a mesma sorte e hoje encontram-se em sérias dificuldades financeiras, o que é fato notório em nossas Comunidades.

No que tange à Comunidade madeirense radicada nestes países “fora da Europa”, os casos de sucesso são muitos, com empresários que se destacam nos ramos de serviços, imobiliário, alimentação, etc., havendo grande integração e visibilidade junto às sociedade locais, entrementes, os que não tiveram o mesmo sucesso dependem exclusivamente do Apoios Sociais a Idosos Carenciados – ASIC e da caridade de nossos compatriotas, através de associações beneficentes, como é o caso da Provedoria da Comunidade Portuguesa de São Paulo, no Brasil, que abriga cerca de 35 idosos carenciados e possui um Centro de Apoio a Carenciados.

Este exemplo se repete em vários países de acolhimento de nossa Diáspora, pois felizmente os nossos emigrantes são solidários e caridosos com seus compatriotas, entretanto, os nossos cidadãos carenciados não podem depender exclusivamente da caridade alheia, porquanto estes têm que ter acesso às informações necessárias para que possam recorrer às políticas de apoio social disponíveis e, desta forma, obter a resposta rápida e adequada à sua situação de carência, resgatando a dignidade e seus direitos garantidos pela Constituição da República Portuguesa, vivendo estes na Europa ou “Fora da Europa”.