Salpicos da semana que foi

A notícia caiu com o estrondo do costume quando o tema tem por protagonistas os eleitos do Partido Comunista Português, Câmaras Municipais por este partido lideradas e dinheiro público.

Foram “apenas” 1,6 milhões de euros que a Inspeção Geral de Finanças (IGF) identificou como correspondendo a despesas ilegais praticadas pelos Comunistas que dirigiam a Câmara de Almada, entre 2014 e 2016.

Logo no primeiro comentário não pude deixar de sorrir ao ouvir na rádio a indignação do “camarada” Jerónimo de Sousa perante a notícia. Dizia o Líder máximo da foice e do martelo português que “era uma vergonha este tipo de acusações; a pegarem com a compra de uns relógios oferecidos a funcionários da Câmara, por ocasião da passagem dos seus 25 anos de bons serviços à autarquia!”, disse.

É notável a forma como os paladinos da defesa dos trabalhadores, das frases de ordem como “o Povo é quem mais ordena” ou “abaixo o capitalismo”, se insurgem e tentam transformar esta denúncia num atentado contra o singelo gesto de reconhecimento de anos de labuta de um punhado de operários de um município.

Foi analisada uma amostra dos contratos efetuados e a conclusão da IGF foi a de que em 54% dos procedimentos por ajuste direto, o convite só foi dirigido a uma entidade.
A entidade fiscalizadora considera que podem ser muito maior o valor em causa.

 

2. Na Assembleia da República foi debatido o Programa de Governo de António Costa. Sobre o que podemos esperar dele como Região, falarei em outro momento.
Por agora registemos o facto de estarmos perante uma alteração da forma como o Bloco de Esquerda e o PCP influenciarão as opções governativas.

Vítimas da sua própria condição de esquerdas, ficarão com o ónus de traírem os seus eleitores, caso em alguma situação votem contra opções do PS (leia-se, ao lado do PSD e do CDS).

Isso torna-os reféns da sua própria ideologia e pode “congelar” a vontade destes partidos - que perderam espaço e representatividade eleitoral – de se afirmarem contra António Costa.

Ficam na incómoda posição de tudo o que for animosidade e combate ao Partido Socialista, ser considerado como uma traição ao governo de esquerda que tanto diziam querer.
Porém essa camisa de varas em que ficaram enfiados pode rebentar, uma vez que estes partidos não devem querer atrofiar ou morrer, às mãos de uma quase necessidade de estar quieto e calado para não atrapalhar o executivo de esquerda que tanto querem.

Adivinham-se tempos interessantes estes. Veremos como ficará esta quadratura das esquerdas, reféns das suas próprias lutas.