Regresso à ‘normalidade’

Depois de duas crónicas seguidas a deitar para fora o que sinto em relação ao clube que mais me provoca dores de coração regressamos à dita ‘normalidade’. Às vezes é bom desbobinar o que sentimos e desviarmos da norma para posteriormente regressarmos, a essa mesma norma, e repararmos no que mudou durante esse nosso desvio padrão. Verifico, tristemente, com os meus botões que pouca coisa mudou...

O Marítimo voltou a perder e a jogar um futebol digno de Pátria, no antigo lamaçal do Campo Adelino Rodrigues. Ups, lá estou eu a cair em vícios antigos e da ‘crónica fácil’ – invariavelmente para mim é mais fácil escrever sobre algo que sentimos na pele do que outras coisas.

Continua a cruzada das pedras retiradas das ribeiras, que ainda não percebi quem diz a verdade ou quem mente, alguém será certamente – a rima foi mera coincidência, longe de mim armar-me em poeta, se bem que tenho mil desejos e não sei sequer o que desejo.

Um mês após as eleições finalmente tivemos governo. Foi preciso criar secretarias, direções regionais e afins, para albergar os dois partidos que iram, se tudo correr bem ou não – dependendo do ponto de vista -, tomar o leme da Região até 2023. Quem ganhou com isto foi a Cristalandia, dizem que o número da venda de tachos disparou e já estão a esfregar as mãos para as próximas eleições. A única nódoa desta nova relação, PSD/CDS-PP, é somente a AMRAM, que ao que consta já levou a uma rápida contagem de laranjas e clementinas.

A Cristalandia, estou à espera de receber um código de desconto para partilhar com os leitores – à lá instagrammer -, também aumentou as vendas para o continente. Foi só contentores de tachos de para São Bento, parece que houve uma reformulação na cozinha.

Por falar em São Bento, parece que por lá as coisas estão mais animadas do que aqui, tivemos um assessor a chegar no seu primeiro dia. Ah, esqueci-me de referir que é o assessor do Livre que pela primeira vez conseguiu eleger um deputado para a Assembleia Legislativa. Sim, caro leitor, eu sei que isto é uma não notícia.

Por seu turno, o benfiquista mais conhecido do parlamento, logo a seguir a António Costa, consegue transformar-se numa situação cómica, não vou falar da vez em que preferiu faltar a um debate para ir para a CMTV comentar sobre o Benfica. Veio a público a sua tese de doutoramento em que o mesmo se mostra preocupado com a “estigmatização das minorias” e a “expansão dos poderes policiais”, na altura criticava, também, o discurso populista. Entretanto o que lá vai, lá vai, e acaba por se juntar ao mesmo patamar de Donald Trump com a defesa inviolável de “a minha tese não é uma questão de opinião, é uma questão de ciência”, essa maldita.

E o Marítimo continua naquilo...

 

 

Big Thief – Two Hands

A banda nova-iorquina teve um 2019 em grande. No início do ano lançou ‘U.F.O.F.’, que foi aclamado pela crítica e bem recebido pelo grande público, o que só por si seria um ano positivo para a maioria das bandas, mas Big Thief não é uma banda qualquer. Em meados de outubro lançou o segundo álbum de 2019, ‘Two Hands’, que como ‘U.F.O.F.’ foi um sucesso tremendo, conseguindo romper ainda mais a fronteira “indie”, em que se encontravam, com o mainstream, a atuação no The Late Show com a magnífica canção, ‘Not’, é considerada com uma das melhores do programa.

‘Two Hands’ é extensão de ‘U.F.O.F’ e a prova da criatividade do quarteto.