O novo padrão político português

Finalizados todos os actos eleitorais deste ano de 2019, nada melhor que analisar a nova conjectura política portuguesa.

Não foi só a estação do ano que mudou, mas todo o enquadramento político. O que era certo e inquestionável acabou, tornando necessário sair da zona de conforto, encontrar consensos e fazer cedências, para no fim levar as coisas a bom porto.


Chapéus há muitos
Nada contra quem gosta deste acessório, mas há que perceber que nem todos os chapéus assentam bem. Também há que ter em atenção aos modelos usados, há alguns demasiado vistos e gastos para serem utilizados nesta nova estação. Para escolhas legítimas, as opções têm de pelo menos parecerem sérias.


Saia Plissada

Um dos novos partidos que ganhou assento na nova composição da Assembleia da República Portuguesa decidiu marcar a entrada com uma saia plissada, envergada por um assessor. Quando faltarem ideias no parlamento, “ó Rosa arredonda a saia”.


Os Liberais

A Iniciativa Liberal, partido que como o próprio nome indica, defende menos Estado e mais Liberdade, estreou-se nos votos este ano. Conseguiram eleger um deputado, pelo círculo eleitoral de Lisboa, e ficar muito perto de eleger um segundo deputado, pelo círculo eleitoral do Porto. Pena os madeirenses não terem seguido esta tendência nacional, porque seria interessante ter na nossa Assembleia Legislativa da Madeira, uma voz com tom marcadamente liberal.


O eclipse do Bloco de Esquerda

Na Madeira, o Bloco de Esquerda eclipsou-se. Culpa única e exclusiva dos próprios, com a colagem pegajosa feita ao PS local e ao candidato independente. Quem aposta no intermediário, quando pode ir directamente à fonte? Pena que a nível nacional não se tenha sentido o mesmo efeito descendente, mérito para a actriz e as manas, que em bom tempo souberam criar o afastamento necessário de António Costa e do governo socialista.

Militância

A militância partidária já viveu dias melhores, julgo que ninguém terá dúvidas em relação a isso. Ser militante activo é coisa que exige muito trabalho, dedicação e sentido de sacrifício enorme, muitas vezes sem o retorno e o reconhecimento justo. Que os militantes partidários estão a mudar também não será surpresa, sendo cada dia mais difícil para um aparelho partidário manter as hostes afinadas e em uníssono com o que são as linhas orientadoras definidas. Por isso, até se entende a relutância de alguns em enveredarem na militância activa, estando apenas interessados no poleiro partidário. Militante? Não. Presidente? Sim.


The more the merrier

Isto até pode ser verdade, mas nunca em política. Em política deveria ser “quanto mais capacitados melhor”. Quantidade nunca foi sinónimo de qualidade e assistimos hoje, em Portugal, ao maior governo de que há memória. O novo governo de Costa conta com 19 Ministros e 50 Secretários de Estado.  As más-línguas poderão argumentar que por cá também houve aumento do número de Secretarias Regionais, mas quando todos, e repito, todos os partidos defenderam na campanha eleitoral a importância da Economia Mar ou Azul, não choca que se crie uma Secretaria do Mar. Da mesma forma que me parece legítimo que “super” pastas, como a Economia e as Finanças, ganhem o seu próprio espaço. Agora, o que dizer dos recém-criados Secretários de Estado? Secretário de Estado do Planeamento? Secretário de Estado do desenvolvimento regional? Secretário de Estado da valorização do interior? Secretário de estado do desenvolvimento Rural? Não se percebe onde começa um e acaba o outro, e isto só pode significar um sem fim de atropelos que teve apenas como objectivo alimentar as hostes socialistas.
Curiosidade: Sabe qual foi o Governo com o executivo mais pequeno da história do nosso País? O primeiro governo de maioria PSD/CDS liderado por Pedro Passos Coelho.

Joana Silva escreve
ao sábado, de 4 em 4 semanas