Ponto de situação

Publiquei o meu último escrito a 22 de Agosto.
Porquê? Primeiro, férias. E nas últimas semanas, em coerência com aquilo que sempre detestei e desprezei, não querer me misturar na tragédia, endógena ao Povo Madeirense, da maledicência, da inveja, da bilhardice, da mediocridade, do arranjinho.
Tragédias, porque, na nossa História, acabaram sempre por estragar o que positivo e mantiveram-nos submissos, quer à opinião publicada, quer ao que vindo de fora do arquipélago.
Na minha formação política autonomista, social-democrata, republicana e presidencialista, desde sempre disse que a elaboração de listas era da responsabilidade pessoal de quem liderasse um Partido, e as escolhas para um Executivo, da responsabilidade pessoal de quem a este presidisse. Mas, em ambos os casos, com o Dever de submeter à aprovação do órgão partidário estatutariamente competente.
Desta forma, é humano que a escolha de um grupo de pessoas implique situações de discordância personificada nuns ou noutros. Eu não fujo à regra.
Fora da política activa, apenas em consciência acorrendo a chamadas, a última vez que falei ao Líder do PSD/Madeira, até o dia seguinte à posse do Governo Regional, foi informalmente num casamento, sábado véspera das eleições regionais.
Apenas participei na campanha eleitoral para a Assembleia da República, no Rectângulo. E, cá, votei PSD porque votava Rui Rio.
Agora, na Madeira, é tempo de racionalidade política e não para teimosias infrutíferas, sem sentido.
O PSD tem de recuar mais de meia dúzia de anos atrás para, com seriedade, reflectir sobre as listas que agora apresentou e à última hora penalizaram a união que vivia. Bem como refletir sobre o que mal conduzido nos fretes suicidas que fez a Lisboa, à Oposição local e à opinião publicada.
Reflectir como é que uma estratégia divisionista por parte de uma fracção interna politicamente fraquinha, foi criadora em 2013 da criatura adversária Dr. Paulo Cafôfo.
Este trabalhou como ninguém o porta-a-porta. Teve cinco azares. Primeiro, o mau segundo mandato e dizer-se-desdizer. Segundo, a excessiva focagem no Funchal, redutora da sua campanha. Terceiro, a notória quebra intelectual das últimas semanas antes das eleições. Quarto, a histórica submissão do PS local ao colonialismo lisboeta, agora mais acentuada. Quinto, a divisão histórica de sempre, no Partido Socialista local, entre os "rasteirinhos" e a "esquerda caviar".
Esta, tal como há quatro anos, não votou PS. O seu "inimigo" fôra sempre apenas o "jardinismo". Na medida em que enriquecidos, também graças às condições que o "jardinismo" propiciou - ainda bem! - no entanto o mesmo "jardinismo" barrou-lhes o caminho da conquista do poder político que obstinadamente ambicionam.
Mas voltemos ao PSD/Madeira.
De facto, estamos perante o problema da perda da maioria absoluta, pela primeira vez, problema que resulta da parlamentarização do sistema autonómico, quando eu entendo ser o presidencialismo mais adequado aos sistemas republicanos e o parlamentarismo aos sistemas monárquicos.
E é uma baboseira o que se anda para aí a pretender vender, para má desculpa. Dizer que as "maiorias absolutas" seriam "menos democráticas".
É precisamente o contrário! Em sistema parlamentar, como o da Madeira, as maiorias absolutas são mais garantes da estabilidade política e do consequente desenvolvimento económico-social, desde que no quadro da legalidade democrática. Não aprenderam ainda com os resultados danosos das cedências do "politicamente correcto"?!...
O PSD/Madeira necessita de uma mudança estatutária em termos de estruturação territorial. O PSD está inerte em Machico, Santa Cruz e Porto Santo. Impõe-se uma reorganização de Bases, talvez até refiliação, dadas as infiltrações promovidas para conseguir maiorias internas. Reorganizar e revitalizar os Trabalhadores Sociais Democratas (TSD), alicerces para agir e reconquistar o Funchal. Como partidariamente há que realcançar a Juventude Madeirense e as periferias urbanas - NOVAS CAUSAS, mas com REFERÊNCIAS e VALORES.
Trabalhos partidários que têm de arrancar JÁ!
Há que repôr nas subvenções aos partidos - também querem borlas na Democracia?... ou se não querem a Democracia, digam!...- alterar a desastrosa política para a comunicação social, restaurar o "espírito de corpo" na Função Pública e eliminar a jactância indiferente de alguns dirigentes administrativos.
É pública a minha oposição a algumas bandeiras do Governo Regional desde há quatro anos. Como é público o meu louvor ao muito de positivo concretizado especialmente nos últimos dois anos.
SOBRETUDO, é necessário que o Governo Regional e a Oposição que esteja de BOA FÉ democrática, insisto DEMOCRÁTICA, de uma vez por todas percebam e ajudem as pessoas a entender que não se resolve o futuro da Madeira, com os "fontenários", os "barquinhos", os "subsídios", as "promessas" e outras questões que, ainda que mediáticas, só servem para entreter o pagode e "brincar aos partidos".
Até pode se tratar de algo que seja bom concretizar.
Mas não é o ESSENCIAL.
É que o futuro do Povo Madeirense depende prioritariamente de se resolver com a República mais Autonomia, a dívida pública depois dos Madeirenses sonegados seiscentos anos, o Princípio da Continuidade Territorial, os problemas TAP, aeroportos e preços de deslocação, o alargamento do âmbito da Zona Franca ao nível dos nossos concorrentes europeus, o sistema fiscal regional, a sustentabilidade e o desenvolvimento da nuclear Universidade da Madeira, a garantia da utilização dos Fundos Europeus e um sistema específico de Justiça.
Isto, sim, é o nosso desenvolvimento futuro, não só económico, mais principalmente SOCIAL.
O resto é conversa que entretém.
Os Titulares dos Órgãos do Estado deviam ter respeito pela maneira como o Povo Madeirense, nomeadamente os Autonomistas, enquadraram e controlaram o separatismo. Ao contrário de vários países europeus, em Portugal não se coloca a questão da Unidade Nacional.
Então, Senhores Titulares dos Órgãos do Estado, nem por isto merecemos respeito?!...
O que falta para o diálogo e a negociação responsável?... Para organizar um grupo de trabalho, fora dos holofotes mediáticos, onde qualquer um de nós pode ajudar?...
O próximo 10 de Junho é na Madeira.
Que melhor conteúdo para o Dia de Portugal, encerrar este contencioso!
Para não ficar só pelo festivaleiro despesista, sem importância para o Povo.