Não escondas uma lágrima!

“Enquanto pessoa lembra-te: se não der para cuidar tem, ao menos, cuidado”.

A dez de outubro, comemorou-se o dia da saúde mental. E como tal vamos procurar refletir sobre um aspeto importante para ela. “As lágrimas”.

Num mundo onde parece que a felicidade se compra num centro comercial ou pode ser testada de acaso em acaso ou ainda exibida a todo o instante. Onde chorar é em privado e ao mundo mostram-se sorrisos. Onde o vestuário esvazia-se de roupa, para nos vestirmos como bem nos entendemos, enchendo-se de máscaras cheias de tudo (menos de conteúdo) humildemente provoco: não é bem assim. A essência é tudo e não há que ter vergonha do momento. Se é choro, é choro. Se é carência, é carência. Se é dor, é dor. Se é insuportável, é insuportável. Se é desespero, é desespero. Se é exagero, é exagero. Enfim, o que for de sentir, é para sentir! Depois é pensar e construir. No seu livro, “Quem nunca morreu de amor”, o conhecido psicólogo português, Eduardo Sá, explica que a tristeza é o melhor antidepressivo do mundo. E é, de facto. Com um bom reconhecimento e aceitação dela poupam-se psicofármacos. Ganha-se autonomia e crescimento. Aos solavancos e com tropeços. Faz parte.

Só não escondendo uma lágrima é que poderás, um dia, dar valor ao sorriso que tinhas e que reconquistaste. É verdade que existe, por vezes, uma imagem, um papel social. Mas sabes, algumas vezes, pela nossa saúde, que se lixem as imagens. Os papeis sociais. Como tantos bons movimentos que promovem as pessoas, é importante considerar este igualmente: Saúde (mental, no caso) em Primeiro!

No processo, pessoas que estimavas (ou até ainda guardas uma réstia de estima – latente, porque tens bom coração) não vão saber transformar motivações pessoais em empatia. Vão transformar antes algo bonito, até certo ponto, em desdém. Outros ainda podem julgar-te por saberem apenas metade ou nem isso da história. Tomar partidos, sem entenderem a realidade. Mas não importa. Faz parte. Guarda-lhes compaixão e tudo o que não tiveram por ti. Afinal tu não sentes amor. Isso é muito materialista e desprendido de essência. Tu és (ou não) amor! Sem jogos. Com segurança para perdoar e crescer junto. Se é para iludir ou suprir necessidades, melhor estar quieto. Depois dispões-te a entregar o que és, genuinamente. Às vezes dá erro. Mas o que conta é a intenção. Nesse ou noutros momentos da tua vida, perde-te, chora (onde tiveres de chorar), procura-te e encontra-te. Cresce. Se foi sincera, orgulha-te.

Nem tudo é mau. Nunca é. Vais aprender. No processo, vais descobrir os teus confidentes. Haverão os que, sem esperares, vão dar-te a mão. Haverão aqueles que perante os teus maiores erros, não te vão descartar, mas sim agarrar-te com mais força e com um altruísmo sem igual. Ama esses ainda mais! Segura-os! Não os descartes! Mesmo em tempo de sufoco, dá uma, duas ou até três oportunidades. Errar é humano. É crescimento. E eles um dia já te deram, perante os teus erros, provas de afeto. De carinho. De amor. O melhor do ser humano.

Nunca te esqueças. Até podem se ter excedido e, sem intenção, te magoado em algum momento, aprontando-se logo a assumir responsabilidades, com compromisso de se retratarem de imediato. Se assim for, considera pensar em dar hipótese de continuarem a crescer contigo. Eles merecem. Afinal, apararam-te as lágrimas em algum momento.

Procura ajuda, pela tua saúde! Os psicólogos (bem como outros profissionais de saúde mental) são exímios a provocarem a loucura nas pessoas. A loucura de serem melhor resolvidas. A loucura de se conhecerem melhor! A loucura de serem menos frustradas. A loucura de se entenderem a si e ao outro. A loucura de serem mais saudáveis a tomar decisões! A loucura de facilitar que experimentes pensamentos, emoções e comportamentos. Que te redefinas perante as situações. Perante as tuas lágrimas, lembra-te. Elas podem ter o poder de regar o teu bem-estar.

Por isso não as escondas. No teu tempo (não só no que a sociedade impõe à força, por narcisismos ou interesses vazios de empatia), transfora-as em sorriso. O teu! Genuíno. Sincero com o teu interior. Não uses máscaras. Enquanto pessoa lembra-te: se não der para cuidar tem, ao menos, cuidado. Isto é ser humano. É ser empático. E que vivamos felizes… sempre que possível. Ponto final.