A minha Greta é melhor que a tua

As questões ambientais são certamente importantes. Essa relevância ficou bem patente em todos os programas políticos que se apresentaram a eleições. Umas medidas tinham carácter mais científico e estudado, outras propostas eram apenas surtos de populismo. No entanto, uma coisa é certa, todos incluíram o ambiente no seu caderno de encargos e todos se achavam mais activistas ambientais que o outro, quase que num concurso para a melhor Greta Thunberg portuguesa.

Dito isto e porque nesta questão em particular, nunca é demais referir que sou a favor de medidas sérias, que procurem minimizar o impacto actual da nossa sociedade e do nosso estilo de vida no ambiente. Por ser tão importante, é em nada abonatório as medidas populistas e os ataques de histerismo público.

Comer é um acto político

André Silva, engenheiro civil de formação, julga saber muito sobre alimentação e jura ser um ambientalista de gema. Engana-se quem achou que a alucinação se restringia a defender o fim dos apoios à criação de gado e à produção de leite. A última posta de pescada que lançou publicamente foi justamente a defender que comer é um acto político. Falaria da esquerda caviar? Alguém informe o Sr. Engenheiro que comer é um acto fisiológico e desde sempre uma necessidade de sobrevivência. A alimentação humana deve procurar ser completa, equilibrada e variada, sem extremismo. Infelizmente para alguns, as escolhas individuais fazem parte da liberdade que conquistamos, por mais que nos tentem limitar.

As vacas sagradas da Universidade de Coimbra

A Universidade de Coimbra decidiu banir a carne de vaca das suas cantinas. Esta medida, para além de ridícula, tresanda a simbolismo inútil. A presença da carne de vaca nas ementas das cantinas universitárias, como todos sabemos, é mínima, não por uma questão de consciência ambiental mas por questões económicas. Os alunos da Universidade de Coimbra não vão salvar o Mundo por não terem carne de vaca na ementa da cantina. Muito menos serão a Índia em Portugal.

Imposto Sobre produtos Petrolíferos e um Tesla para cada português

Vender a ideia de que os carros eléctricos são o futuro e os veículos menos poluentes tem muito que se lhe diga. Aliás, basta pesquisar um pouco sobre a matéria para perceber que não existe verdadeiramente um consenso. Da mesma maneira, o actual governo nacional não pode vir dizer que está a salvar o planeta Terra ao subir o Imposto Sobre produtos Petrolíferos e que os portugueses têm de trocar os seus veículos movidos a combustíveis fósseis para os eléctricos. Quantos portugueses terão actualmente capacidade financeira para trocar de carro? Pois, não nos atirem areia para os olhos.

Crianças e jovens ao serviço
do fanatismo

Pôr crianças e jovens a limparem as ruas da Funchal para consciencializar para as questões ambientais é só parvo. Acções consequentes e de consciencialização devem ser dirigidas a quem polui, bem como é mandatório, garantir as condições de trabalho necessárias, a quem tem por função a limpeza urbana para que a consiga fazer de forma segura e eficaz.

Em suma, as alterações climáticas são uma realidade para a qual temos de estar despertos. Medidas populistas e carregadas de simbolismos bacocos só fazem cair a causa no ridículo, desmotivam para uma questão que é séria, e para a qual todos nós devemos contribuir.