Medicamentos e responsabilidade

O medicamento é a tecnologia em saúde mais custo-efectiva, com uma evolução científica ímpar, é tecnologia de excelência e qualidade, com mudança do paradigma em termos de eficácia vs efectividade, tendo como exemplo a terapia genética com resultados e ganhos em saúde extraordinários, o advento da farmacogenética com reabilitação de fármacos e sua vectorização para os utentes em que a sua efectividade seja superior, e um futuro game-changer, que é a impressão 3D de medicamentos.

A medicação é pedra angular de qualquer sistema de saúde, pois é o medicamento um dos principais responsáveis pela eficiência dos sistemas de saúde, que promove mais anos à vida, sabemos bem que o aumento da esperança média de vida de 1900, M-30 anos e H-28, para 2018, M-83,43 anos H-77,78 anos, se ficou a dever em cerca de 60% ao medicamento, e que mais vida dá aos anos, promovendo o aumento da qualidade de vida, permitindo cumprir um dos principais objectivos dos sistemas de saúde como preconizado pelo professor Dr. Constantino Sakellarides, entrar bem na vida, e sair bem da vida.

Infelizmente está cientificamente validado, que apesar destes resultados extraordinários para a eficiência do sistema de saúde, subsiste ainda o desaproveitamento do potencial pleno do medicamento, pela sua má utilização. É tempo de criar estratégias com políticas em saúde, para eliminar esse potencial perdido, transformando-o em ganhos directos para a saúde de todos e de cada um. O grande Pilar em que deve assentar é a Literacia em Saúde, informar com a mais recente evidência científica, fazer compreender essa informação, e criar as ferramentas para uma utilização crítica do cidadão do seu medicamento, tornando-o um aliado nesta demanda da saúde de todos e de cada um, no fundo um sistema de co-responsabilização do cidadão para com a saúde pública. Estas campanhas de Literacia devem ser vinculativas e reconhecidas, fazendo parte de uma estratégia global e integrada, devendo observar até os gestos mais simples, como o lavar as mãos, desafio a todos a contar quantas pessoas vão à casa de banho e não lavam as mãos de seguida (aeroportos, estações de serviço e grandes superfícies) e verão a premência da educação para a saúde.

Outra questão que nos últimos dias tem sido muito debatida pelos mass media, é a utilização off-label de medicamentos e sua obtenção ilícita, levando a uma utilização irresponsável de medicamentos, que coloca em risco a saúde dos utilizadores, e exige um esforço suplementar e desnecessário dos sistemas de saúde, obrigando a alocar recursos para uma situação totalmente evitável. Esta situação assenta em pressupostos cientificamente não validados de ignorância e irresponsabilidade no que à utilização do medicamento diz respeito.

A solução passa por uma estratégia bipartida, a montante campanhas de literacia validadas, temos como bom exemplo a parceria entre a Ordem dos Farmacêuticos e a DGS na Educação para a Saúde com os cursos “Segurança nos cuidados de Saúde” inserido no projecto NAU, e por exemplo o Programa Ilhéu Saudável na RAM. A jusante necessitamos um maior controlo do circuito dos medicamentos que posam maior risco para a saúde pela utilização indevida. Aqui compete às autoridades (INFARMED, PJ, ASAE) definir a estratégia de aumento da eficácia do controlo, sendo que as substancias, esteróides anabolizantes, anti-tumorais, hormonas de crescimento, infertilidade, benzodiazepinas e antibióticos, deveriam observar sistemas de controlo iguais aos dos estupefacientes e psicotrópicos.

O Farmacêutico é um aliado e principal interlocutor nesta demanda, contem connosco!