2020: Crise económica

Existem neste momento três grandes problemas que se não forem resolvidos a tempo, algo que é muito provável, contribuirão para a grande crise económica que se avizinha já em 2020.

O primeiro problema prende-se com a incapacidade dos EUA, e da UE (ainda que a uma escala muito menor), em lidar com a crescente automatização da sua economia, adiando a introdução de medidas estruturais necessárias, como por exemplo o rendimento básico universal.

Por seu turno, a culpabilização das maleitas do tecido empresarial americano na nova potência mundial, a República Popular da China, reflecte-se na “guerra” comercial e cambial que os EUA fazem questão de levar a cabo com a China.

Juntamente com a “guerra” comercial que os EUA entendem em levar a cabo com a China (em vez de procurarem soluções bilaterais de partilha, tanto quanto possível, das suas esferas de influência), verifica-se também uma 2.ª guerra fria em termos tecnológicos, nomeadamente no que diz respeito à Inteligência Artificial e ao desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação (veja-se a forte oposição americana à Huawei).

Por último, mas não menos importante, o constante atrito entre os EUA e o Irão poderão levar a uma crise no setor petrolífero, nomeadamente no que diz respeito ao abastecimento desta forma de combustível o que afeta consequentemente o seu preço.

Numa altura em que o país e a Região Autónoma da Madeira se preparam para um novo ciclo eleitoral, pouco se tem ouvido dos candidatos sobre a crise económica mundial que se avizinha e que reformas estruturais, nomeadamente de cariz fiscal (leia-se sistema fiscal próprio), pretendem estes executar por forma a atenuar os efeitos nefastos que esta crise poderá trazer-nos.

Ignorar a política fiscal como ferramenta à disposição dos governos, não só capaz de atenuar os choques económicos externos (os quais são amplificados numa região ultraperiférica), mas também eficaz em atrair investimento internacional e mão de obra qualificada independente da conjuntura económica, é ser inconsequente.

A concorrência fiscal da regiões ultraperiféricas não pode ser posta em causa (atendendo às suas dimensões e condicionantes das mesmas) pela real necessidade de harmonização fiscal do Estados-Membros da União Europeia que compõem a Zona Euro.

Portugal e Região Autónoma da Madeira não se podem dar ao luxo de eleger políticos que não falam clara e abertamente sobre como tencionam combater a crise que se avizinha, nem que advogam políticas fiscais e económicas inconsequentes cujo objetivo seja aumentar as “gorduras” do Estado à custa da penhora fiscal e social das gerações futuras.

“A única diferença entre a morte e os impostos, é que a morte nunca piora cada vez que o Congresso [dos Estados Unidos da América] se reúne.” - William Penn Adair Rogers, actor conhecido como “o filho favorito [do Estado] do Oklahoma”.