Cumprir a nossa natureza

"O Homem é por Natureza um animal político, tem primeiro na família a sua socialização e garantia da manutenção da vida em seus aspetos financeiros e educativos, mas é na Polis que se realiza plenamente, encontrando no fiel cumprimento das leis a justiça (...)".

Parto desta frase do tão conhecido filósofo grego Aristóteles para apelar à consciencialização de todos para a necessidade da participação cívica que lhes assiste, neste ato eleitoral que se aproxima e em todos os demais.

Salvo raros casos de isolamento individual, nascemos, crescemos e vivemos ao longo de toda a nossa vida no seio de uma sociedade, com direitos e deveres, em que todos somos chamados, em regime democrático, a nos pronunciar sobre o que queremos para o futuro da nossa comunidade.

Infelizmente, muitas vezes escolhemos o caminho mais fácil, o da indiferença e do alheamento, não obstante termos sempre espaço para a crítica gratuita. "Votar para quê? São todos iguais".

É aqui que erramos, porque, no meio da crítica, na maior parte das vezes, nem estamos informados sobre aquilo que defendem as diferentes forças partidárias e protagonistas. Não conhecemos as ideias, nem conhecemos, e tão pouco reconhecemos, o trabalho realizado. Falamos de cor porque é mais fácil criticar, é mais fácil abstermo-nos dessa responsabilidade de escolher, de pensar, de decidir, de sair de casa e ser parte da solução.

Os políticos, tal como todos nós, são fruto da sociedade e muitas vezes procuram ser o espelho dessa mesma sociedade. Se é seriedade que essa sociedade lhes exige, e não cumpre, dificilmente terão futuro. Votamos, elegemos, mas também temos o direito de nos pronunciar e de denunciar sempre que as nossas expetativas são defraudadas. Mas faça-lo como fundamento e não a servir apenas como caixa de ressonância dos outros, como meros papagaios de propaganda política rasca e superficial.

Temos de aprender a pensar pela própria cabeça, temos de saber avaliar, temos de procurar e filtrar informação, temos de fazer a triagem entre o verdadeiro e a especulação e temos, sobretudo, de dar valor a quem procurou ir ao encontro das nossas aspirações e preocupações, em contraponto daqueles que tudo prometem, mas cuja realização se resume a pouco mais de nada.

Ao longo dos últimos 40 anos, a Madeira transformou-se e nós nos transformámos com ela. Não somos independentes, nem queremos ser, mas, desde cedo percebemos que só a capacidade de podermos decidir sobre o nosso rumo nos dá garantias de desenvolvimento sustentável. Mas também não abdicamos de ser considerados portugueses como todos os outros porque, ao contrário, do que muitos pensam, a nossa Autonomia, não é um fardo para a Nação nem o motivo das calamidades das contas do Estado. Antes pelo contrário. É, por isso, que ao cumprir com as suas responsabilidades para com as regiões autónomas, o Governo da   República não nos está a fazer nenhum favor.

Infelizmente, não tem sido esse o entendimento e esta é uma batalha que teremos de travar nos próximos anos, mas, para isso, não podemos ter amarras nem mordaças. Afinal, não foi para isso que tanto lutámos pelos Autonomia.

Assim, como não foi para termos os níveis de abstenção dos nossos dias, que tantos lutaram pelo direito à democracia pelo voto de todos os cidadãos.