Brincar com a saúde da PSP

Na passada semana teve lugar a comemoração dos 141 anos do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública.

Em representação da República Portuguesa esteve a Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto.

Não é pessoa que tenha caído no cargo na semana passada, já o exerce desde 2015.

O Presidente do Governo Regional quando falou, anunciou que o executivo da Região Autónoma da Madeira apoiaria os agentes policiais e suas famílias na Região, adiantando os valores da comparticipação do Estado no preço dos medicamentos e produtos de saúde.

No fundo, a Região substitui-se ao Estado – Governo da República – por forma a que os beneficiários não sejam prejudicados pela inação do sistema nacional.

Mais recordou o Presidente do Governo Regional, nessa intervenção, que a Madeira está a reclamar mais de 18 Milhões de euros em dívida (porque adiantados e nunca pagos) respeitantes aos sistemas do ADSE, PSP e GNR. A Madeira adiantou valores que já ascendem a esse montante, como forma de não serem penalizados aqueles homens e mulheres que desempenham funções em forças de segurança tuteladas e da responsabilidade da República Portuguesa.

Exortou para que seja de uma vez por todas resolvida esta questão, que se arrasta desde há vários anos, mas que não tem merecido por parte do Governo de Lisboa nenhuma atenção, nem tentativa de solução efetiva.

De imediato, o surrealismo aconteceu. A Secretária de Estado resolveu na sua intervenção afirmar que, por maior ou menor discussão político constitucional sobre de quem é a competência quanto ao pagamento destes valores, o que importa é que concorda com a solução encontrada.

Dito de outra forma. A representante do Governo do PS concorda que seja a Madeira a pagar uma responsabilidade que é inteiramente das entidades nacionais.

Melhor ainda, considera excelente a solução encontrada pela Madeira de pagar agora as comparticipações que Lisboa deixou de pagar, e bate palmas.

Não existem dúvidas de que é ao Governo de Portugal quem compete pagar. Mas é esta representante do ministro quem se afirma com dúvidas, o que é a todos os títulos um verdadeiro insulto à inteligência dos madeirenses!

Não poderia ser mais desconcertante tanta falta de conhecimento da matéria. Pior. Tanto desplante perante uma situação que se arrasta vai para anos e que tem vindo a crescer em termos de valores em dívida.

O melhor que a República Portuguesa tem para dizer é isto? Aplaudir a sua falta de interesse em resolver o problema?

Dizer na cara dos agentes policiais ali presentes, que o Governo da República lava as mãos quanto ao modo como é assegurado o direito destes e dos seus familiares aos cuidados de saúde, aos medicamentos dispensados em farmácia, às consultas e aos exames complementares de diagnóstico?

Mas será que isto cabe na cabeça de alguém?

Não será desplante a mais?

Deselegância e verdadeiro desprezo pelo assunto!.