Jornalismo adormecido

Acredito no jornalismo. Sempre foi um mundo que me fascinou, cresci com um em casa e, talvez por isso, essa área sempre despertou alguma curiosidade. Considero que acompanho o mesmo e as modificações dele com alguma atenção.

Lembro-me do período de saturação da imprensa escrita em Portugal, com os mais diversos diários, semanais e mensais, de Tal & Qual, a O Independente, passando pelo Diário Económico e o mítico Comércio do Porto, juntamente com o 24 horas e A Capital, do mais discreto como a Gazeta dos Desportos e o Se7e, lembro-me deles, dos seus logotipos e das suas cores, e por vezes dou por mim a pensar o porquê de tanto jornal ter sido extinto... Acabo por lembrar que vivemos na nova revolução jornalística, a que é feita para internet, para os cliques e para os gostos, em que a pop-up irritantes na webpage valem mais que uma simples assinatura, em que as notícias acabam por ser fabricadas de modo a agradar e a desagradar a população ao mesmo tempo, em que o interessa é o engagement – estrangeirismo bonito que serve somente para substituir a palavra prostituição no que concerne ao jornalismo nas redes sociais.

O que mais me preocupa é a falta de educação jornalística que a maioria da população tem, acreditando em tudo o que é colocado à frente por um algoritmo que descobriu que o leitor, ou eu, não gosta de vermelho e rapidamente é-nos presenteado um artigo que diz que o vermelho faz mal, o pior é que acreditamos nisso sem segundas questões, e aqui vem a crítica...

Porquê que o jornalismo está adormecido em Portugal? Em que o que atualmente, salvo raras exceções, o que enche as páginas dos jornais são reportagens de eventos passados, press-releases, entrevistas em que as perguntas são feitas de modo a não incomodar o entrevistado, reações a essas entrevistas, declarações de fulano tal, por mais absurdas que possam ser, etc.

No clima que se vive hoje em dia seria importante o jornalismo assumir uma posição mais importante na sociedade com fact-checks, perguntas pertinentes e no fundo voltar a funcionar com o jornalismo devia de ser... Acho que está na hora de voltar a rever The Newsroom.

 

 

Baleia Verde

A celebre investigação brasileira, Lava Jato, que levou ao afastamento de Dilma Rousseff da presidência do Brasil, à prisão de Lula da Silva – antigo presidente, José Dirceu – ministro-chefe da Casa Civil e de mais umas quantas figuras de proa da política brasileira, e que acabou por deixar o Brasil no estado em que está, basicamente com um inepto com presidente, teve no seu cerne uma assunto interessante, para uns, demasiado pertinente para a nossa realidade, para outros.

A cumplicidade das grandes empreiteiras brasileiras com o poder político, em que as mesmas acabavam por controlar as obras públicas graças às suas conexões políticas, tendo desta forma manipulado os preços dos contratos públicos que posteriormente seriam entregues a essas empresas de construção. O processo desdobrou-se em mais de 60 fases operacionais, não sei é se alguma descobriu uma oferta dos materiais por parte do Governo Brasileiro para levar a cabo uma obra pública...

 

Whitney – Forever Turned Around

Vi Whitney pela primeira vez ao vivo num NOS Primavera, ao sol e com a intensidade do mesmo a baixar. O espetáculo em si ficou-me gravado na memória pela simplicidade que duo de Chicago dominava o palco com as suas canções que nos remetiam para um lago no verão, em que o objetivo seria simplesmente ficar por lá.
Com este segundo álbum o sentimento mantém-se, o rock saído do final dos 70 também e continua a remeter para aquele lago perdido no meio do nada com o sol a desaparecer na sua hora dourada.