O meu candidato é melhor que o teu!

Eis a campanha eleitoral no seu mais básico. O meu é melhor que o teu. O teu não presta. O teu está feito com os malfeitores. O teu é um malfeitor. O meu é o suprassumo das virtudes e está rodeado apenas de gente fantástica, hipercompetente e com a solução para todos os problemas antigos, presentes e vindouros. O meu é que é! E se não estás comigo estás com os outros. Se não estás com o meu candidato não és merecedor da mudança. Não interessa que o meu candidato meta os pés pelas mãos nas suas intervenções. Que não seja capaz de explicar números, origens ou como pretende aplicar as suas medidas na Região e, até que ponto, tais são exequíveis ou que peso terão na vida das pessoas. Importa é pintar tudo de fantástico. Dizer que o programa do meu candidato é que é “O” programa. Como nunca antes visto por estas bandas. Inovador, credível, positivo e ímpar. Pouco importa se está cheio de lugares-comuns, de intenções e frases estilo ‘miss universo’ (a melhor que vi foi ‘parar com a extinção de espécies’!). Um conjunto de páginas que ninguém lê, cujas medidas não serão cumpridas porque não há tempo, não há dinheiro, não há vontade ou não são exequíveis. Mas o meu candidato é que é!

Por tudo isto é importante desmistificar dois pontos essenciais.

O dia 22 de setembro de Madeira é dia de eleições para o Parlamento da Madeira e futura composição do Governo Regional. Não é nada mais que isto. Não irá ser descoberta a pólvora. O mundo não terminará após o dia 22, nem se assistirá à fuga em massa da nossa ilha. 47 pessoas, dos mais variados quadrantes terão lugar no hemiciclo durante os próximos 4 anos, onde farão o mesmo que todos os outros que por lá passaram. Outro conjunto de pessoas sairá destas eleições para ocupar cargos no governo e, estas sim, terão um peso relevante no que se seguirá. Porque serão estes que influenciarão o destino da Região e de todos que cá vivem no quadriénio que se segue. Serão as suas decisões que irão influenciar o dia de todos nós, na saúde, na educação, no ambiente, no turismo, nos impostos, pelo que, quer queiramos ou não engolir toda a propaganda que nos é presenteada diariamente, não está aqui em causa (nem pode estar) o “expulsar uns” para “meter outros”. Isto não é, nem pode ser, a luta do bom contra o mau! Não está, nem pode estar, em cima da mesa qualquer tipo de revanchismo, mas unicamente um julgamento de mérito, de competência e de oportunidade. E sim, de posicionamento ideológico para uma decisão fundada em crenças, valores e princípios que deverão nortear as nossas posições.

Por outro lado, à escolha das pessoas estão 17 opções. Muitas, muitos dirão. Liberdade democrática, dirão outros. Os tradicionais e uma panóplia de novos reacionários e outras barrigas de aluguer. Mesmo que a comunicação social só releve 2 desses partidos, a verdade é que há mais escolhas no cardápio. E se alguma coisa a Geringonça mostrou é que até é possível misturar e aquilo funcionar, com mais ou menos estabilidade. Admito que é muita responsabilidade para o cidadão, pouco habituado a ter de escolher. Mas você, que agora lê estas linhas, tem de perceber que a sua opção não é (apenas) entre o ‘candidato perfeito’ e o ‘candidato da praxe’. Entre o PS e o PSD. Numa altura em que se perspetiva que não existirá governações absolutas na Madeira, nunca foram os outros partidos tão relevantes, as pessoas que estes apresentam, as suas posições, as suas competências e capacidade de negociar e influenciar. Porque será deste caldinho que sairá o próximo governo. Este é o momento de todos dizerem de sua justiça! E esta justiça não vai com modas.