Quem reentrou bem foi São Roque

Havia grande expectativa. Para o último sábado de Agosto estava prevista a grande rentrée socialista. O PS nacional em peso na Madeira para o derradeiro embate contra o inamovível poderio social-democrata. Era o agora ou nunca. Mas o mínimo que se pode dizer é que para o PS, de António Costa e de Paulo Cafôfo, o passado fim-de-semana, em Machico, foi um autêntico fiasco. Uma desilusão que nem a amigável cobertura mediática, nem as perspetivas habilmente selecionadas, conseguiu escamotear. Escolheu-se esta cidade emblemática para marcar a força dos socialistas madeirenses, mas o resultado foi decepcionante. Nem os muitos militantes e simpatizantes locais aderiram à festa. Primeiro prevista para o enorme largo do Fórum, com ambição de fazer frente ao Chão da Lagoa, depois desviada para o Largo da Praça, acabou encolhida no espaço junto ao Forte de Nossa Senhora do Amparo que, mesmo assim, não encheu. Um fracasso como nunca se tinha visto por estas bandas onde é comum grande fulgor da esquerda, sobretudo quando o PS governa a autarquia. Para muitos, a expectativa de uma vitória regional arrefeceu. Para alguns, até congelou.

São muitas as explicações já aventadas. O PS regional está a perder gás. O dia e a hora foram mal escolhidos. A mobilização local foi inexistente, com o presidente da câmara amuado e a fazer campanha, com a família, a favor da poncha regional no ultra-trail do Mont Blanc, nos Alpes franceses. O único esforço de mobilização veio do deputado, candidato controverso e pouco consensual por causa do tal vídeo, e foi francamente insuficiente. A Ribeira Seca ficou em casa, agora obediente, de paz e amor com a hierarquia religiosa. A Banda de Além, Graça, Ladeira, Pontinha, esses, foram à festa, mas a outra festa.

Ainda nem todas as bandeiras do PS jaziam desprezadas no chão da baixa e já a Alameda dos Plátanos, ali mesmo ao lado, se animava com outra comitiva. Ali sim. A alegria, a festa, o entusiasmo do povo de Machico fazia-se ouvir. Indiferente às atoardas vindas do palco político, formava-se já a romagem em direção à capela do Senhor São Roque. Era ali que o povo de Machico queria estar neste sábado à tarde de fim de Agosto. Décadas depois, realizava-se de novo a festa em honra daquele santo protetor. Com a pitoresca capela mais uma vez restaurada deixando visitar todo o seu valioso património cultural. Em romaria, cantando bem alto, exibindo as oferendas para a Igreja, a população revelava uma forte nostalgia das festas do antigamente. A verdadeira rentrée foi o arraial que se realizou neste sítio do extremo oeste da baía de Machico. Pela tarde e noite dentro.

Nada disto traz certezas, mas traz certamente alguns sinais. Primeiro, que a população se distancia cada vez mais das atividades políticas. Segundo, que embora de maioria socialista, a população de Machico não se tem entusiasmado com a denominada onda Cafôfo. Depois, se ainda na campanha são evidentes tantos desaguisados entre as diversas fações socialistas, o que não será de esperar se porventura, alguma vez, estes vierem a formar governo, com a agravante de terem de gramar com eventuais coligações, acordos ou apoios do conjunto de pequenos partidos da esquerda e extrema-esquerda parlamentar. Seria bom! Seria!