A viagem à Madeira do Costa

O Secretário-Geral do Partido Socialista e Primeiro-Ministro, António Costa veio à Madeira fazer a rentrée do seu partido, e vejam lá a sorte, conseguiu aterrar à primeira tentativa. Não houve vento nem nevoeiro que impedisse Costa de pousar na Madeira. 

Entre a chegada e a partida assistiu-se a todo um arraial socialista. Foram os abraços, os beijinhos e as falsas promessas embaladas por um Costa saltitante certamente movido a poncha. 
    Não irei falar dos 5000 de Machico que acabaram por nem ser metade, nem do palco gigantesco em praça minúscula escolhida para uma rentrée nacional. Foi pena o salão paroquial estar ocupado, aí ainda ia parecer que tinha mais gente. Também não irei focar as facadas de Costa na língua portuguesa, embora tenha sido novidade a sua incapacidade para rimar. “Madeira, amiga, o Costa está convosco” ainda deve estar a ecoar em muitas cabeças. 
    Bandeiras e paus de poncha à parte, o culminar do arraial socialista foi a entrevista dada por António Costa a um jornal local. Quem leu aquelas páginas percebeu rapidamente, o quão insultuoso foi para todo o madeirense, as palavras do Primeiro-Ministro de Portugal.
    A abrir a entrevista, Costa começa logo com uma entrada a pés juntos a enxovalhar a forma como os madeirenses defendem a autonomia. Seguidamente, Costa ganha balanço para passar um atestado de incompetência ao Governo Regional na negociação dos juros do empréstimo da República à Região. O nosso Governo Regional apenas exige pagar a mesma taxa que a República mas Costa acha que não há qualquer diferença entre poupar 7 milhões/ano e poupar 12 milhões/ano. São trocos. 
O subsídio de mobilidade aéreo é atacado de forma grotesca. Apelidado de absurdo e ruinoso, e de não beneficiar nenhum residente nas regiões autónomas. Nenhum modelo foi tão vantajoso para nós, nunca viajamos por tão pouco, basta perguntar a qualquer madeirense. 
    A construção do novo hospital e todo o emaranhado da participação do Estado nessa obra, foi novamente erro de quem? Ora está claro, dos madeirenses. Nós é que percebemos mal, nós é que dramatizamos, nós é que não percebemos. Novamente um atestado de burrice. 
    A linha do ferry que foi recusada pela Ministra do Mar, provavelmente porque “não lhe apeteceu”, afinal segundo Costa, não existe nenhuma razão para recusar à partida e até já considera testar a sua viabilidade. Ah! Não há nada como um ano eleitoral. Mas Costa vai mais além e tem o descaramento de dizer que o Estado já comparticipa a linha para Portimão quando todos os custo da operação do ferry estão a ser pagos pelo nosso Governo Regional! Mais uma mentira a ver se cola.
    A entrevista termina com Costa a reafirmar a sua obsessão pela Madeira e com umas juras de amor eterno. 
    Caro António Costa, a Madeira não precisa que adore as nossas levadas. A Madeira não precisa que adore nadar nas nossas águas. A Madeira não precisa que adore comer espetada. A Madeira não precisa que adore cá vir. A Madeira e os madeirenses não precisam que nos adore. 
    A Madeira e os madeirenses precisam e querem ser tratados de forma igual aos restantes portugueses. A Madeira precisa de uma República que não se demita das suas obrigações com a nossa Região Autónoma. A Madeira precisa de quem lhe reconheça e respeite a Autonomia.