A obsessão de avaliar o trabalho do Governo Regional

Na área do ambiente, temos associações que confundem o seu legítimo discurso reivindicativo (concorde-se ou não), com apoios partidários.

Estamos a chegar ao fim de mais uma legislatura. É tempo de fazer um balanço aos últimos 4 anos de governação. Nada mais natural em democracia. Contudo, não deixa de ser curioso que, nestes períodos eleitorais, apareçam sempre um conjunto de entidades, alegadamente apartidárias, ocultadas no rosto dos seus dirigentes, que do nada, elevam o discurso para uma gritante parcialidade de apreciação, revelando motivações suspeitas, quase obstinadas, em que a crítica não é mais do que uma descarada caça ao voto. É pois importante denunciar que muitas das avaliações realizadas ao governo regional não são isentas e imparciais.

Na área do ambiente, temos associações que confundem o seu legítimo discurso reivindicativo (concorde-se ou não), com apoios partidários. Há encontros com associados e simpatizantes, que não passam de comícios políticos, com os seus líderes convidados a discursarem, com promessas de votos e de apoio, como se os dirigentes dessas associações fossem donos dos votos dos seus associados e simpatizantes.

Temos organizações não governamentais (ONGs) que em vez de se pautarem pela imparcialidade política, fazem questão de avaliarem a atuação do Governo Regional neste período, quando por iniciativa de instituições do Governo Regional aceitaram ser parceiros em diversos projetos e nessas alturas sempre estiveram do lado das decisões tomadas pelo Governo Regional. Nesta ânsia de tomar posições políticas e de se enquadrarem politicamente, chegam os seus dirigentes a se esquecer das pessoas, da população e questionarem a veracidade e legitimidade de algumas das revindicações das populações, como recentemente se assistiu ao questionarem os reais danos provocados pelo Pombo trocaz na agricultura e aos agricultores. Contudo, apresentação de propostas de soluções, equilibradas e ponderadas não as conheço. Estarei atento a ver se aparecem em algum dos manifestos eleitorais de algum partido político candidato às eleições regionais.

Por outro lado, temos, sindicatos e delegados sindicais a fazerem campanha e a utilizarem os seus contactos e o seu estatuto para persuadir os associados a ter um determinado sentido de voto, dificultando muitas vezes o diálogo e o relacionamento institucional com as entidades patronais à conta de motivações pessoais. É lamentável que por vezes se prejudique uma classe profissional apenas por meras ambições políticas pessoais.

Quem está no Governo está em constante avaliação e não apenas neste período eleitoral. Contudo a avaliação final far-se-á aquando das eleições e far-se-á pelo voto de todos os cidadãos e não apenas por meia dúzia de pessoas que se escudam em cargos ou posições de instituições.

Trabalhamos com o sentido de responsabilidade. O nosso trabalho é público, do conhecimento da população, pelo que é de consciência tranquila e com o sentido de dever cumprido que chegamos ao final da legislatura.

Mas enquanto alguns perdem tempo em tentar influenciar os madeirenses com avaliações e comentários desadequados e incorretos, utilizamos o nosso tempo para trabalhar no próximo programa de governo com medidas objetivas e concretas, pensando no futuro do nosso ambiente e das pessoas.

É desta forma que sabemos trabalhar.

Manuel António Filipe escreve à quinta-feira, de 4 em 4 semanas