Aquelas influências

“Escrever é algo que não sabes como fazer. Sentas-te e é algo que acontece, ou pode não acontecer” e se isso ocorrer “não tentes”, é mais ou menos com este pensamento Bukowskiano que encaro todas as vezes que abro o computador para começar a escrever estas crónicas. Às vezes tenho ideia do que irei falar, outras ando à procura no maravilhoso mundo da internet, ou no magnífico mundo da nossa imprensa escrita, normalmente com banda sonora, nestes dias é complementada com o som de uma ventoinha.

O que tento reter da linha filosofia de Bukowski via Hemingway, no que concerne à escrita, é não tentar. Não forçar a mesma e esperar até ao momento em que consiga “escrever uma frase verdadeira” e começar a partir daí.

Teorias de Conspiração

Todos nós gostamos de uma boa teoria de conspiração, é o nosso lado cinéfilo a funcionar. Desde Illuminati, passando pelo assassinato de JFK e a queda das torres gémeas, são teorias que nos põe a pensar e há algumas, confesso, bem explanadas ao ponto de quase acreditar nelas.

Depois há as teorias que o aquecimento global é invenção para prejudicar economicamente os Estados Unidos da América, esta é das que eu acho menos plausível, mas o presidente de lá do sítio concorda, por isso quem sou para contrariar loucos.

Continuemos com as teorias na terra da Area 51 mas daquelas mais ‘credíveis’... No passado sábado suicidou-se, na prisão, Jeffrey Epstein. O nome pode não dizer muito ao leitor, na realidade até faz bem em manter-se na ignorância pois a dita personagem encontrava-se acusado do tráfico sexual de menores e era suspeito de ser o líder dessa rede. Até aqui o caso, apesar de asqueroso, não tem importância mediática, o problema vem logo de seguida e sobre quem era Jeffrey Epstein antes de acusado. Epstein era um dos financeiros mais influentes dos EUA e que tinha como conhecidos uma longa lista de quem é quem no mundo político americano, casos do atual presidente, que é visto em vídeo com o Epstein numa ‘festa’ algo duvidosa, o antigo presidente Clinton, o príncipe André, Duque de York, entre outros. Com o “suicídio” de Epstein as teorias de conspiração ganham uma nova vida.

 

Bon Iver – ‘I,I’, um mundo universal

Bon Iver confunde-se com Justin Vernon e o mesmo se confunde com Bon Iver, ao quarto álbum, o mesmo, atinge a plenitude a nível da criatividade musical.

“I,I” é o conjunto da experiência que o mesmo começou a acumular ainda antes de “For Emma, Forever Ago” – o seu álbum de estreia e que lançou Bon Iver e por consequência Justin Vernon para o estrelato.

Se o primeiro álbum trouxe-nos um folk acústico com baladas melancólicas, como é o caso da afamada ‘Skinny Love’ e de outras mais obscuras mas com a mesma qualidade, ‘Flume’, ‘Blindsided’, levaram-nos até ao coração ferido de Justin ou de Bon Iver. Com o seu “sophomore” – “Bon Iver, Bon Iver” acompanhamos o crescimento a nível da complexidade musical, algo dentro de um “chamber pop” e deu-nos um vislumbre do que viria a ser um dos cantautores mais influentes do final da última década até hoje. E depois, seguindo as pisadas de uns Radiohead após “OK Computor”, tivemos “22, A Million”, mergulhado num “folktronic” pouco habitual ao estrelato. Pelo meio houve as participações nas magnum opus de Kanye West, “My Beautiful DarkTwisted Fantasy” e “Yeezus”, bem como passagens pelos discos, doe James Blake, Jay-Z, Vince Staples e outros.

E este caminho todo, feito em crescendo, culmina com “I,I”. Um disco que consegue conjugar o folk acústico em canções como ‘Marion’, o pop barroco em ‘U (Man Like)’ e ‘Hey, Ma’, passando para a eletrónica em ‘iMi’ e ‘Jelmore’ e acabando por relembrar-nos que a música é no fundo um mundo universal acrescentado elementos de jazz em ‘Sh’diah’.

‘I,I’, é a conjugação do melhor de Bon Iver, sem ser um ‘Best of’.