Só que não!

Os catraios mais novos têm esta expressão que utilizam à exaustão. Propõem-se a fazer algo de sério e útil, mas rematam, com um “Só que não!”
Coisas do género: “Hoje vou fazer os trabalhos de casa e arrumar o quarto…” e rematam, afinal, com um sonoro “Só que não!”.
Mas não são eles os únicos que o fazem, com a diferença de outros não dizerem no final o sonoro “Só que não!”, apesar de o fazerem silenciosamente mantendo o sorriso plástico perante o ar perplexo e desconcertado dos expectantes.
Não comentei os c(s)em compromissos logo quando foram anunciados porque estava à espera de clarificação após serem “lançados”. E o tempo clarificou que não eram 100 mas em 100 dias (este português é mesmo muito traiçoeiro). Como os três reis magos (que não eram três, nem reis, nem magos), os c(s)em compromissos ”lançados” não são 100 e não são compromissos.
“Lançar” compromissos não é o mesmo que assumi-los. “Lançar compromissos” em cima de quatro pilares de generalidades e indefinições é boa receita para uma construção sem pés nem cabeça, como aliás é recorrente nas “montanhas que parem ratos”. Aproveito para relembrar o problema da praga dos ratos, os de quatro patas e os outros, com asas, a que acrescem as baratas (com mais patas e asas), na centralidade da nossa urbe - são quase os únicos que conseguem habitação no centro da cidade. Medidas de reabilitação urbana para habitação humana? Só que não! Medidas para desinfestação das pragas? Só que não!
Foi, portanto, um lançamento de coisa nenhuma, aquele punhado cheio de nada que aglomera marionetes e pupetes em torno de câmaras e gravadores numa dança de acenares de cabeça entre si e especialmente aos gestores do terreiro do paço atentos aos “locais”, não vão eles pensar autonomamente e muito menos em autonomia. Querem autonomia? Só que não!  Igualito à questão da mobilidade. Aprovado finalmente novo modelo, ia para entrar em vigor. Só que não!
No programa que podia ter o titulo “ 100 maneiras de ir a lugar nenhum”, nada de conclusivo no essencial quanto ao importante regime fiscal especial (essencial instrumento de desenvolvimento), nada quanto à importantíssima renegociação da dívida (relembro: ganha-se dinheiro, qual agiotas, à conta dos madeirenses - vão ao mercado, negoceiam, conseguem taxas mais baixas quanto aos empréstimos deles, mas nunca, nunca, nunca dão iguais condições à dívida da região, nem permitem que a região possa renegocia-la sozinha), nada quanto a fundos europeus. “Niente” quanto ao aeroporto ou universidade, etc. Até abreviei: sumário de coisa nenhuma é impossível. Para além de que realmente não se comprometem a nada, pelo que não são compromissos (no passado até se retiraram de circulação na net todos os manifestos que tivessem medidas ou eventuais compromissos para não serem com estes confrontados). Se calhar o título havia de ser só: “Sem” - era mais verdadeiro.
Propõem-se apresentar compromissos (verdadeira acepção), bem arquitetados, fundamentados e alcançáveis como os que já foram realizados pelo Governo Regional e os que são propostas para um futuro seguro da região nos sectores chave para o desenvolvimento, desde desenvolvimento económico (muitas e amplas vertentes), apoios às famílias, ambiente e proteção florestal, agricultura, acessibilidades, segurança e proteção civil, mobilidade, emprego, educação e saúde, conforme expectável é, de um partido que se propõe a votos. Só que não!