Como o Brexit afeta a União Europeia?

Certamente devemos começar por explicar que o Reino Unido, desde a sua adesão à CEE, em 1973 abdicou progressivamente de soberania plena em várias matérias legislativas e políticas, que são desenvolvidas em sede de conselho com os restantes EMs da UE.
O Reino Unido (RU) é igualmente, um importante financiador da UE, ao mesmo tempo que beneficia desta, em áreas como o desenvolvimento regional, saúde, transportes, infraestruturas, investigação, etc. Há que ter consciência que o peso da economia do Reino Unido no seio da UE também em muito contribui para enaltecer a posição da UE no Mundo. Outro aspecto muito relevante, é sem dúvida o seu poder militar, talvez o mais desenvolvido de toda a Europa.
A saída do RU da UE sempre foi matéria de discussão de muitos grupos e forças políticas e económicas no Reino Unido, tendo sido o primeiro referendo feito em 1975, onde a maioria da população votou favoravelmente pela permanência.
A UE acredita que um não acordo pode prejudicar ambos os lados, vários estudos foram feitos sobre o impacto de um não acordo por parte da UE que indicam que a UE perderá 1,200 milhões de postos de trabalho e o Reino Unido, 500 mil empregos, onde seja. Em termos percentuais perde mais o RU.
O Reino Unido promete retirar quase todos os impostos na importação de bens e serviços da UE. No entanto, a UE não oferece tal ao RU.
A UE pensa que está preparada para a transição, tendo preparado legislação para um período de não acordo, como aviação, ligações rodoviárias e alguns serviços financeiros.
Os países que serão particularmente afetados, por ser grandes parceiros comerciais, como a França, Holanda, Irlanda e Bélgica, terão também já tomado medidas como reforço de serviços tarifários e aduaneiros ou desenvolvido novas facilidades.
Há o sentimento que a UE não se preparou ainda suficientemente, e os restantes 27 EM consideram que a UE brevemente estará na mesa de negociações com o RU, mesmo com um sem acordo.
O RU quererá um acordo de livre comércio com os seus vizinhos maiores e mais próximos, contudo a UE pede concessão do RU em matérias com os direitos dos cidadãos, obrigações financeiras e fronteira na Irlanda, antes de começar as negociações.
Em termos nacionais, em Portugal, a imposição de tarifas, restrições em termos alfandegários e aduaneiros, bem como no que concerne a aviação e a liberdade de mobilidade de cidadãos britânicos em espaço Português, certamente afetarão a economia portuguesa.
O RU é o quarto maior parceiro comercial de Portugal, para não referir a percentagem substancial de turistas, inúmeros profissionais liberais, reformados e moradores sazonais britânicos em Portugal.
Em termos nacionais para o Reino Unido, o Brexit pode significar que Londres perca o estatuto de capital financeira da Europa, com várias multinacionais a optar por transferir as suas sedes para a UE.
Outra grande dificuldade do Reino Unido vai ser na arena internacional, pois a UE tem voto decisivo no seio de todas as organizações políticas, económicas e comerciais do Mundo, sendo que o RU terá um voto com muita pouca influência dada a sua reduzida dimensão em comparação à UE, China, Japão, EUA ou mesmo países emergentes como o Brasil ou a Índia.
Aos britânicos, o que mais os preocupa, é a Organização Mundial de Comércio, que para além de representação reduzida, obrigará desenhar centenas de novos acordos comerciais com diferentes blocos e países do Mundo.