Bispos em peregrinação a Medjugorje

Após a permissão do Papa Francisco de bispos e padres poderem organizar peregrinações a Medjugorje, sem que isto signifique a aprovação das ditas aparições da Virgem Maria aos videntes, este grande santuário mariano começa agora a receber visitas de vários bispos. Isto não significa que vários prelados não tenham visitado este santuário, mas não podiam organizar diretamente peregrinações. Contudo alguns países europeus, como a Itália,  o fluxo de peregrinos  era muito grande e a oração litúrgica, penitencial e reza do terço estavam bem organizadas, era lugar de grande espiritualidade, como tantos outros  santuários  marianos dispersos em vários países do mundo cristão, nos quais a Virgem Maria não tinha aparecido, embora algumas tradições populares,  como a da pastorinha do Terreiro da Luta na Madeira, cheia de poesia,  encanto infantil e curiosidade do pai, serviram para encantar os peregrinos madeirenses que neste mês de agosto sempre acorreram com devoção à igreja do Monte e que, mais tarde, a Igreja  declarou a Senhora do Monte Padroeira da Diocese do Funchal.
A questão das aparições de Medjugorje nunca foram aprovadas pela Igreja, e o  seu bispo de Mostar  nunca acreditou nelas, nem ainda hoje acredita, tanto mais que foram os padres franciscanos da região que as promoveram, num tempo de sofrimento e ataques dos comunistas ao povo cristão da Bósnia, nesse tempo chamado Jugoslávia. Um célebre padre jornalista francês, R. Laurentin ,estudioso de todos os fenómenos de aparições  no mundo, tornado célebre no tempo do Concílio Vaticano II, pelos seus artigos num jornal francês , apoderou-se do tema Medjugorje e deu-lhe fama mundial, defendendo também as aparições de Maria a seis jovens  e causando uma divisão na opinião pública mundial. A maior parte dos visitantes deste santuário, também da Madeira, acreditam nas aparições da Virgem e dirigem ali retiros. Não  consta que alguns deles, sendo doentes,  saíssem de lá curados.
Quando era Reitor do Colégio Português em Roma tinha a estudar nesta casa alunos sacerdotes da Jugoslávia, conhecia o Bispo de Split que me recebia em sua casa, homem de grande espiritualidade que, no primeiro ano das aparições me pediu para com dois jovens estudantes  visitar este santuário, pois não o visitaria sem permissão de Roma e não acreditava nas aparições, ou melhor, esperava uma decisão do Papa. Foi um belo passeio, num tempo em que só as pessoas da Croácia visitavam o santuário. A oração do Rosário, o silêncio e respeito dos camponeses pela religião impressionou-me muito. Como estivessem muitos carros particulares todos em desordem e, quando todos queriam voltar para suas casas, já de noite,  admirei a calma, o respeito como deixavam passar os carros dos outros, sem apitar, nem gritar ou falar, atitude que nunca vira em Roma nem nos santuários italianos. O Bispo de Split também admirou  o que lhe disse do ambiente de oração do povo simples e sofredor, num tempo de opressão do tirano comunista Tito.
Agora, a situação mudou. Vai realizar-se em breve  o terceiro festival dos jogos olímpicos da juventude em Medjugorje, 14 bispos, pela primeira vez, reúnem-se à assembleia. A multidão explodiu com gritos de júbilo quando o arcebispo emérito de Varsóvia e visitador apostólico, apareceu e apresentou as saudações do Papa Francisco. Há 38 anos que aconteceu a primeira aparição a seis adolescentes, hoje com mais de 50 anos e, se a Virgem não apareceu, disse a assistência, já  “apareceram” 14 bispos.