O desnorte do PS/M

Um historiador holandês (José van den Besselaar) escreveu que o sebastianismo estava definitivamente morto! Os socialistas madeirenses, porém, parecem apostados em ressuscitar o mito, a avaliar pelos seus cartazes ridículos, bizarros, jocosos e egocentristas, que entenderam colar em várias localidades da Região, anunciando a chegada desse novo Encoberto, talvez num dia de nevoeiro, para salvar a Madeira. Os socialistas vão nesta conversa e andam por aí aguardando, em delírio, a chegada do novo menino-rei, de ouvidos atentos ao relinchar desse cavalo impossível.

O cabeça de lista do PS/M parece ter descoberto uma varinha de condão para resolver todos os problemas da Madeira, embora até agora apenas tenha tocado nas teclas da saúde e da educação. Parece uma criança deslumbrada com o cargo que pensa cair-lhe do céu sem nunca ter feito algo de realce para que isso acontecesse, qual novo D. Sebastião, acabado de sair do nevoeiro para salvar as hostes socialistas, historicamente como agora, embrenhadas em muitas confusões internas e conflitos existenciais, confundindo deliberadamente ou inconscientemente o desejo com a realidade. São episódios que nos fazem reviver aquelas horas incertas da vida portuguesa, quando se atravessava uma época de perturbação contínua e se ansiava por um salvador.

O PS/M nunca teve um rumo traçado. Navegou sempre num mar encapelado sem norte, sem um líder capaz de lhe tomar o leme. Nestes últimos tempos, foi tomado de assalto por pessoas externas ao partido e anda a reboque das vontades de António Costa e dos ingleses do Diário de Notícias.

Com esta situação bizarra, o socialismo nega-se a si mesmo, convertendo-se numa paródia sacrílega, desvirtuadora dos seus ideais. Pela primeira vez na sua história, é comandado por uma figura menor, dentro da estrutura política do partido, sem qualquer capacidade de liderança. É sempre importante lembrar que nas primeiras eleições para a AR, em 1976, o seu candidato pela Madeira foi uma figura continental, que vivia no continente, imposta pelo Largo do Rato, concebida como raiz de todas as suas disfunções.

Hoje assistimos ao mesmo cenário. Os cabeça de lista à Assembleia Regional e à Assembleia da República foram impostos pelo PS Nacional e o primeiro é uma personagem alheia ao partido. Está a ser muito interessante observar e analisar as reacções ruidosas ou silenciosas dos verdadeiros socialistas, que não se revêm nestes golpes palacianos, onde predomina a ambição pessoal. Uns pedem a demissão e entregam o cartão de militante, outros insurgem-se através de entrevistas em órgãos de informação.

O actual líder nada faz, mais parecendo uma marionete. Não lidera, é o imediato executor testamentário da herança colonial na Madeira, contentando-se com as migalhas que restarão, após as eleições de 22 de Setembro e 6 de Outubro. Um dos seus filhos já aparece como número 2 nas listas para a AR, mesmo aparentando não ter capacidades para exercer tão nobre cargo. Pouco se interessa verdadeiramente com o partido, desde que os tachinhos para a família e amigos estejam garantidos. A verdade é que ele nunca revelou dotes intelectuais e políticos para liderar um partido que tem tradições na Região e ambições de governo.

No projecto que apresentam ao eleitorado não há uma mensagem doutrinária estrutural que faça compreender a que vão estes socialistas; ao invés, descortinamos a mesma desorientação dos espíritos, já presente na condução política da CMF e que conduziu às guerras intestinas com saneamentos políticos dentro da geringonça camarária.
Definitivamente, não é este projecto que queremos. Os madeirenses merecem melhor!