O Carlos, a Ana e o Johnny. Sabem quem são?

No passado dia 24, teve lugar o Fórum Madeira Global, onde muito se refletiu e discutiu sobre a participação política das comunidades madeirenses.
Nas suas conclusões, ficou claro que os madeirenses emigrantes têm a legítima aspiração de poder participar na vida política da Região, tendo os participantes exortado o Governo Regional a não abandonar o processo de revisão da Lei Eleitoral, de modo a permitir aos emigrantes votarem para a Assembleia Legislativa da Madeira.
A exortação assenta no facto das comunidades serem consideradas o prolongamento da autonomia regional, dando dimensão global a uma Região com 250 mil almas, situada a meio do Atlântico.
É tão antigo o desejo de participação política quanto a intransigência das forças centralistas que impossibilitam o exercício deste direito. Já desde a Assembleia Constituinte que se discute esta possibilidade, argumentando-se com a unicidade da cidadania portuguesa. Contudo, se formos ler as atas, parece claro que a posição maioritária defende a admissibilidade de voto dos emigrantes madeirenses para as eleições regionais. Até porque, para fundamentar a existência da Autonomia, os deputados constituintes reconheceram que as comunidades regionais têm especificidades sociais, culturais e económicas, o que torna as regiões autónomas muito mais do que meras entidades políticas territoriais ou geográficas, como o são os municípios, por exemplo.
Não obstante, até ao momento, ainda não foi consagrado na Lei Eleitoral esse direito que filosoficamente a Constituição não nega.
Para que isso se efetive, terão os partidos com assento na Assembleia Regional de juntar esforços para aprovar uma resolução propondo a alteração da Lei Eleitoral e forçar a Assembleia da República a viabilizá-la. As forças políticas madeirenses terão de ser suficientemente independentes relativamente a Lisboa e por isso é que precisamos, na próxima legislatura, de partidos intransigentemente defensores da Autonomia.
Enquanto tal não acontece, não pode a Assembleia Legislativa Madeirense ficar sem representantes da Diáspora, pelo que saúdo as forças políticas que apresentam candidatos lusodescendentes. Sem desprimor para outros, cujas listas desconheço, aplaudo o PSD-M por integrar nas suas listas três jovens candidatos regressados da Venezuela nos últimos 4 anos. Carlos Fernandes, Ana Bracamonte e Johnny Madeira são jovens que eu conheço bem e a quem reconheço enorme potencial. Estou certo de que qualquer um deles reúne as condições que se exige aos representantes do povo madeirense: competentes, motivados, com firme vontade de contribuir para o desenvolvimento da sociedade que os acolheu e os integrou, de retribuir aquilo que a Madeira lhes tem dado. São jovens que não serão apenas representantes da Diáspora Madeirense espalhada pelo Mundo ou da comunidade luso-venezuelana que na Madeira encontrou o seu porto de abrigo. São verdadeiros representantes do Povo Madeirense e defensores dos seus direitos, que não vacilarão perante os desafios e que estão disponíveis para dedicar-se à causa da autonomia: o desenvolvimento integral dos madeirenses!
O Carlos, a Ana e o Johnny são apenas alguns de um grupo, onde também se encontram a Adriana, a Rosa, o Fernando, a Marylin, entre muitos, a quem o PSD deu possibilidade de participação política, quando fundou o seu Núcleo de Emigrantes. É um trabalho longe de estar concluído, pois falta integrar mais emigrantes regressados e lusodescendentes provenientes de outros países de acolhimento. Mas foi um primeiro passo não apenas para a representação política das comunidades madeirenses mas também como mais um instrumento de integração das comunidades migrantes que se instalam na Região. Se há causas certas, esta, do PSD-M, é uma delas!