Meditação Mindfulness: o que diz a ciência

A meditação mindfulness tem sido um assunto muito investigado e discutido no mundo ocidental, cujos efeitos promissores têm impulsionado a crescente divulgação e utilização desta técnica em diferentes contextos (saúde, educação e meio empresarial).

A título de curiosidade, a indústria do mindfulness e respetiva formação valem, atualmente, 1,1 bilião nos Estados Unidos. Segundo dados fornecidos pela Associação Americana de Investigação em mindfulness, o número de adultos que praticam meditação triplicou entre 2012 e 2017. Para além disso, há mais cientistas interessados em investigar os efeitos desta prática, expressa na expansão estrondosa de publicações científicas, que aumentaram de 20 artigos publicados em 2000 para 624 em 2015.
A meditação mindfulness ou atenção plena está baseada nas práticas milenares budistas e foi introduzida no Ocidente, por volta de 1970, pelo professor de medicina americano Jon Kabat-Zinn. Motivado para tornar esta técnica acessível a todos, Kabat-Zinn criou um referencial científico e desenvolveu o Programa de Redução de Stresse baseado em Mindfulness (MBSR), com a duração de 8 semanas. É um treino terapêutico que desenvolve a capacidade de focar a atenção no momento presente, isento de julgamentos, conduzindo a uma mente mais equilibrada. Contribui para a autorregulação emocional e maiores níveis de bem-estar geral e felicidade. Pacificar a mente torna-nos mais empáticos, compassivos e gratos.
Este programa de MBSR tem sido alvo de vários estudos científicos utilizando escalas psicológicas, avaliações neurobiológicas e exames de ressonância magnética funcional. As neurociências demonstraram alterações na estrutura e na função do cérebro, após as 8 semanas de meditação. Estudos adicionais avaliaram a eficácia e concluíram que o MBSR reduz a auto-perceção do stress e tem evidência moderada na redução da ansiedade, depressão e dor crónica.
Na última década, a área das psicoterapias está em ampla reorganização. A meditação mindfulness emergiu como uma inovação terapêutica em saúde mental, incluída no grupo das terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração. Estudos realizados na Universidade de Oxford, no Reino Unido, demonstraram que a prática de mindfulness reduziu as recaídas de depressão em cerca de 44%. Valorizando esta evidência, o serviço de saúde do Reino Unido incluiu, oficialmente, a prática do mindfulness no protocolo terapêutico dos doentes que sofrem de depressão. No Canadá, a meditação mindfulness está também integrada nos cuidados de saúde (e é comparticipada pelas seguradoras) para benefício dos utentes, famílias e profissionais de saúde.
As mais-valias e aplicações do mindfulness estendem-se ao ensino e às organizações. Na Holanda, o mindfulness faz parte do currículo escolar, sendo praticado diariamente por 7500 crianças. A nível empresarial, o Google implementa, desde 2007, o programa “Search Inside Yourself (SIY) dirigido aos seus colaboradores, e que já foi ministrado em mais de 30 países.
A Madeira tem acompanhado a popularidade mundial e o crescimento na oferta de formação e prática do mindfulness nas várias vertentes. Aproveite, pois conhecer é o primeiro passo para gostar!