Nostalgia de verão

Confesso que sou um pouco nostálgico. Dos tempos em que outrora o verão chegava a tempo e horas, em que eu tinha tempo para o aproveitar, em as únicas preocupações que tinha eram saber que fato de banho iria usar no dia seguinte.

Essa nostalgia é lixada. Estou neste preciso momento a censurar o meu jovem eu, por não ter sabido aproveitar esses tempos como deviam de ter sido aproveitados, e já estou preocupado é com a roupa que irei usar amanhã para o trabalho das nove às cinco, num escritório qualquer perto do centro de cidade, com o ar condicionado a simular o frio antártico e os telefones a tocar até que alguém decida antedê-los ou então que quem está do outro lado desista e perceba que estamos todos com a crise de nostalgia, ou estamos cantarolando Eddie Cochran com o “Summertime Blues”.
O engraçado com esta melancolia veraneante é que o espaço temporal em que olho com saudades vai variando consoante o dia e a altura do mesmo. Se durante o dia olho com carinho para os dias passados da tenra idade até à adolescência nas piscinas do Lido, no campo do MadeiraBall e no tobogã com o meu irmão e o meu primo, ao fim da noite a nostalgia transfere-se para o Excesso, não a banda, mas o bar da Avenida Luís de Camões, e para o Tretas e Santinho... Para as suadas noites do Copacabana com o seu ‘rock’ e os shots no Reduto.
Mas citando Woody Allen, “nostalgia é negação - a negação do presente doloroso... o nome para esta negação é o pensamento da idade dourada – a noção errada que um período diferente no espaço temporal é melhor do que aquele em que estamos vivendo.” E assim, regressamos à realidade e ao fato de banho que irá continuar na gaveta.

“Doenças sexualmente transmissíveis aumentaram entre os idosos”
Ao que parece os idosos do nosso Portugal estão, também, com uma nostalgia pelos tempos dourados, às tantas é mais pelos tempos azuis. O caso ao que parece não se cinge somente pelo país lusitano à beira-mar plantado.
Mas o caro leitor que não se preocupe, a Direção-Geral da Saúde (DSG) já está a “estudar” o fenómeno. Eu que sou leigo no que concerne nas diretrizes da DSG penso que o “fenómeno” é que os nossos avós, pais, continuam a fazer sexo. O aumento da DST (doenças sexualmente transmissíveis) provavelmente mostra que alguns dos nossos velhinhos são mais ativos do que pensávamos e que os lares de terceira idade são espaços dignos da presença de Caligula.
Provavelmente também significa, mais uma vez relembro que não sou perito no assunto, as vendas de viagra e pau de cabinda devem de ter aumentado. Mas isso sou só eu que estou com inveja dos velhinhos... do sexo, não das doenças.

Hot Chip – A Bath Full of Ecstasy, nostalgia de música eletrónica
Ao sétimo álbum a banda inglesa leva-nos de regresso ao passado em que a música eletrónica fazia sentido e enchia as pistas de dança com as suas batidas coerentes, simpáticas e amenas. Logo ao início “Melody of Love” remete-nos para as baladas de dança dos anos 80, algo que transcende e faz a ponte para “Spell” que parece um lado B de algum álbum de Daft Punk, que continua em na canção que dá nome ao álbum. A continuidade e a ligação que é feita de uma música para outra é simplesmente impressionante ao ponto de parecermos ficar submersos num profundo banho...
“Hungry Child”, o single de lançamento, é definitivamente a música que enche as pistas de dança das discotecas, se as mesmas passassem música de dança e outras coisas que tentam passar por música. Enquanto isso não chega cá, o melhor é tomarmos um banho cheio de ecstasy.