A pulga atrás da orelha

Fico sempre com a pulga atrás da orelha quando oiço dizer que quem exerce cargos políticos é tudo farinha do mesmo saco, seguindo-se logo um “Eu cá não sou político!”. Todas as ações que cada um de nós leva a cabo têm subjacentes visões do mundo, ajudando quem estiver interessado em prestar atenção a conhecer-nos melhor. Exercer uma profissão, estar sem emprego, ser líder de pequenos grupos, escolas, organizações ou governos obriga-nos sempre a tomar decisões e a mostrar que tipo de pessoa somos, em que tipo de políticas acreditamos ou que mundo defendemos.

Nestas crónicas mensais tenho escrito sobre políticas e medidas que a Câmara Municipal do Funchal tem implementado, tentando mostrar como elas não obedecem a critérios avulsos, nem são respostas imediatas a qualquer problema, estando integradas num programa e numa visão holística do mundo em que acreditamos.
Quer seja na área da educação, do urbanismo, da cultura, do ambiente, do desenvolvimento social, das obras, todas as medidas que promovemos e apoiamos têm como objetivos finais o respeito por cada pessoa, a possibilidade de participar na vida da cidade, o direito constitucional à educação e à habitação, à cultura e à igualdade de oportunidades, à qualidade de vida. Não sendo possível prever o futuro, fazemos o que alguém já disse: lançamos as bases para que ele aconteça. Sem nunca descurar as questões éticas, pilares fundamentais de uma democracia.
Analisemos os dois últimos eventos apoiados pelo município do Funchal: a III Conferência Municipal sobre Estar em Situação de Sem Abrigo e a produção da peça “A Pulga Atrás da Orelha”. A primeira iniciativa no âmbito do desenvolvimento social e da cidadania e a segunda na área cultural. No primeiro caso, pretendemos continuar a desocultar a temática da população em situação de sem abrigo, promovendo um mais profundo conhecimento do fenómeno no Funchal e refletindo sobre o que pode ajudar a contribuir para a eliminação deste flagelo social, nunca esquecendo o direito à dignidade e à cidadania que todas as pessoas têm. Damos igualmente visibilidade às boas práticas que aqui existem e à necessidade de se trabalhar em conjunto. Já no caso da peça “A Pulga Atrás da Orelha”, a Câmara Municipal do Funchal dá continuidade à política que tem prosseguido desde 2013: entre outras intenções, temos, por exemplo, o olhar para a cultura como uma atividade que ajuda ao desenvolvimento económico, social e educativo, valorizando obrigatoriamente a formação e os valores regionais, promovendo a interação entre os nossos artistas, técnicos e agentes culturais com outros de diferentes partes do país e do mundo. Abrimo-nos ao exterior e o retorno tem sido a vontade de nos conhecerem e o reconhecimento da qualidade do que é feito no Funchal.
Quando se exerce um cargo político, pode ser-se um ou uma estratega do futuro. Não são só as capacidades individuais que distinguem estas pessoas. São as suas escolhas! Perceber o que subjaz a cada proposta e optar por ela, em caso de concordância, está no poder do voto. Todos somos políticos!
Nota – 16 a 25 de julho: “A pulga atrás da orelha”. Coprodução do Feiticeiro do Norte e da Câmara do Funchal. Comédia que vão adorar! Apoiem os nossos artistas e técnicos!