“O PSD sempre prejudicou”

A frase completa é “O PS sempre ao lado dos madeirenses! O PSD sempre prejudicou!”. Esta tem se tornado o principal slogan não oficial da corrida eleitoral nas redes sociais e nas conversas de café. Vindo de pessoas inteligentes e de provas dadas, deixa-me a refletir sobre a dialética partidária que se vive nestes dias. Estamos em campanha diária rumo às decisivas e importantes eleições regionais. Decisivas porque há a possibilidade de, quatro décadas depois, deixar de haver maioria governativa do mesmo partido, o que é uma novidade. Importantes porque o momento exige ponderação e escolhas sensatas e racionais. Porém o que se vê é um apelo ao coração e não à razão.

Este 'slogan é tão simplório quanto falso. Mas ao mesmo tempo perigoso, porque reduz tudo à dicotomia do bom e do mau, do herói e do vilão, ignorando que a vida (ou neste o caso o destino da nossa região) não é uma via monocromática. Desde logo faz-me confusão esta coisa do “Partido”. O Partido é isto. É aquilo. Faz isto. Fez aquilo. Como se fosse uma coisa autónoma, senciente, que se levanta de manhã, toma o pequeno-almoço, deixa as crianças na escola e, na versão moderna, vai para o trabalho com o objetivo de tramar toda a gente que não esteja na sua lista de amizades. E ao final do dia, volta para casa, janta, aconchega os pequenos e vai dormir, para tudo repetir no dia seguinte. Não. Os partidos não são criaturas que andam por aí com vontade própria. Os partidos não são gente. Mas são compostos por pessoas. Pessoas com defeitos e virtudes, com interesses e vontades, que se juntam num mesmo teto de ideias, princípios ou crenças, e/ou, sejamos honestos, por mero oportunismo ou calculismo. Sim, também os há. Em todo o lado. Facilmente se conclui que um partido é aquilo que as pessoas dele o fazem e não o contrário.

Por outro lado não pode haver ninguém nesta terra com mais de 30 anos que possa dizer que a Madeira é hoje pior que a Madeira daqueles tempos. Basta lembrar que no início da década de 80, Santana nem eletricidade tinha. E que eram três quartos de hora do Funchal ao aeroporto no final dos anos 90. A cada exemplo que se lança esta discussão torna-se cada vez mais estéril e ridícula. Não significa isto que tudo o que foi feito merece honrarias. Não. Há muito erro, aproveitamento indevido, vilipêndios, mas uma qualquer vontade de mudar não pode querer apagar o passado, bom ou mau, apenas para vender o seu peixe.

Sucede, porém, que a memória não é um forte destes tempos e propaganda vende mais que pão quente. A discussão política vive numa guerra de trincheiras, com as partes lançando odes às suas virtudes e vampirizando os opostos. Este discurso radical tem o condão de esconder todas as outras opções que existem, algumas delas tão ou mais válidas do que o produto que se pretende vender aos madeirenses. Pior. Tem o condão de colocar todos num saco ou no outro. Veja-se o exemplo das declarações do líder do CDS-Madeira, que disse que “Ideologicamente o CDS está mais próximo do PSD e mais longe do PS”. La Palice não diria melhor. Afinal não são os dois partidos mais representativos da direita política? Mas não! “Estão é feitos um com o outro”.

Esta velha máxima de ‘ou estás comigo ou estás contra mim’ é o pior serviço que se pode prestar ao povo madeirense. Somos poucos. Não temos escala para darmo-nos ao luxo de afastar gente que pensa diferente. O futuro não é de maiorias que tudo decidem sozinhas. É de consensos. É de colaboração. É de participação. É de escolher pessoas competentes, válidas, de confiança. Porque os desafios assim o exigem.