“A Europe that delivers”

1.    Este é o lema que a Comissão Europeia quis apresentar-se a todos nós, a todos os cidadãos europeus. Traduzido na nossa língua mãe: uma Europa que faz acontecer.

Do ponto de vista comunicacional é uma mensagem de peso, objetiva e nada complexa. O curioso é que esbarra, desde logo, na complexidade inerente à Europa. A Europa está numa encruzilhada. De valores, de princípios, mas acima de tudo de jogos políticos cada vez mais vincados, de situações pouco transparentes e de alterações que mudaram o curso natural daqueles que se apresentaram em campanha, e no final foram "encostados à bancada".

Mereceu o meu elevado respeito o extraordinário percurso pessoal e profissional, antes do político, de Ursula von der Leyen. Contudo estou expectante quanto ao que nos apresentou, em Estrasburgo, enquanto candidata à Comissão Europeia.

Esta complexidade europeia de início de mandatos, com alterações e nomeações para cargos com pouca ligação ao cidadão europeu, como Christine Lagarde para o Banco Central Europeu, associadas ao impasse do Brexit, continua, a meu ver, a afastar os cidadãos da Europa. Aqueles a quem pedimos a confiança e o voto útil.

 

2. Continuo a acreditar na Europa. Mas há dias um amigo próximo proferiu uma frase que me despertou o pensamento. "Acredito na Europa, não sou apologista de muitas das opções e políticas europeias".

De facto, esta reflexão deve ser-nos cara, deve ser um pensamento crítico que nos tem de acompanhar. Refletir e inquietarmo-nos com este reforço do eixo Franco-Alemão, já encarado por todos como o canal diplomático mais poderoso, numa alusão à "velha Europa" que do lado ocidental exclui os países que aderiram mais tarde e que são mais desconfiados da integração.

Esta "Europe that delivers" tem de entregar mesmo soluções para mitigar as diferenças. Entregar soluções aos jovens, entregar eficácia a políticas de desenvolvimento regional, colmatar lacunas e a fazer cumprir Tratados que permitam aos mais pequenos, do sul ao leste, às regiões ultraperiféricas competir em pé de igualdade neste espaço europeu que queremos continua a desenvolver.

 

3. O compromisso do PSD mantém -se. Dar continuidade ao trabalho, na defesa de matérias que, mais económicas estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento de Portugal e das suas Regiões. Os Transportes, o Turismo, as Pescas, a Sustentabilidade dos Mares e o combate à Poluição Marinha estão asseguradas, com a nossa representação efetiva nas Comissões competentes. Haja coragem e sorte nas negociações.

Não será tarefa fácil, é certo! Este início conturbado, ao mais alto nível no processo de escolhas, estou certa irá refletir-se nas negociações futuras dentro e fora do Parlamento.

Com britânicos (de saída) a assumirem cargos decisivos, com o espetáculo de Nigel Farage e sua "claque" na cerimónia de abertura do Parlamento Europeu, sinal de desrespeito pela instituição, com a proliferação do populismo xenófobo que tomou conta de alguns Estados Membros, nada será fácil.

A tudo isto associemos os confrontos comerciais de Trump e a intromissão subjacente do Kremlin na procura da fragilização do projeto Europeu.

Este labirinto político impenetrável da Europa, precisa ser confrontado.

À Comissão urge apresentar uma agenda que entregue soluções aos cidadãos, que aceite a voz dos moderados e que seja capaz de comunicar não apenas para dentro, mas que vá perentoriamente muito além dos corredores de Bruxelas.