O Pequeno Livro Amarelo

A China, ou Império do Meio, como o seu próprio nome em Mandarim indica, é um mundo em si.

Quem não se lembra do “Pequeno Livro Vermelho” com as mais importantes citações de Mao Zedong, oficialmente conhecido como “Citações do Presidente Mao Zedong”? No entanto, o socialismo com características Chinesas evoluiu e ainda que Mao Zedong tenha um papel importante na definição ideológica atual do Partido Comunista da China, certo é que o seu atual sucessor, Xi Jinping, é responsável pela modernização do socialismo com características Chinesas.
Ainda que a Editora Popular de Shanghai, editora original do “Pequeno Livro Vermelho”, não tenha criado a versão homóloga do livro para o Presidente Xi Jinping, dois artistas, um Português, Fernando Eloy, e uma Chinesa ex-capitã do Exército da Libertação do Povo, Julie O’yang, criaram o “Pequeno Livro Amarelo” (disponível eletronicamente) para divulgar, ainda que de forma não oficiosa, o pensamento do homem e partido mais poderosos do mundo.
Apesar do livro não ser sancionado pelo Partido Comunista da China, os autores fizeram por reproduzir fielmente os mais importantes discursos e intervenções públicas do Presidente Xi Jinping, permitindo ao leitor perceber de forma, inalterada, como o maior partido do mundo pretende alcançar o “grande renascer da Civilização Chinesa”.
Quer goste-se ou não, foi o socialismo com características Chinesas, “no qual Marx e Lenin partilham o pódio com Confúcio, Deng Xiaoping e Mao Zedong”, que permitiu à República Popular da China alcançar, de uma forma exponencial, um desenvolvimento sócio-económico sem precedentes históricos desde o início Revolução Industrial. Foi esta mesma ideologia política que permitiu que a China, Civilização com uma História ininterrupta com mais 6000 anos, voltasse a atingir o apogeu económico mundial, algo só verificado naquele país durante o período da Idade Média e Renascença ocidentais.
Perceber o socialismo com características Chinesas, na sua globalidade, é também perceber a forma pragmática como os Chineses, enquanto civilização, foram encontrando (em especial a partir de 1978), soluções de longo prazo para os seus problemas políticos, sociais e económicos.
O pragmatismo governativo é melhor exemplificado por “Um País, Dois Sistemas”, o qual permitiu integrar, ainda que com dificuldades pontuais, dois territórios capitalistas e com sistemas democráticos ocidentais, Macau e Hong Kong, na China de Deng Xiaoping. A China, ou Império do Meio, como o seu próprio nome em Mandarim indica é um mundo em si. Falhar a compreensão deste gigante país, em especial nestes últimos 70 anos, é falhar compreender uma pequena, mas importante, história desta antiga Civilização que se tem renovado ao longo dos séculos.
“Há alguns estrangeiros entediados, com estômagos cheios, que não têm nada melhor para fazer do que apontar os dedos para nós... Primeiro, a China não exporta a Revolução; segundo, a China não exporta fome e pobreza; terceiro, a China não vem e causa dores de cabeça, o que mais há para ser dito?” - Xi Jinping, Presidente da República Popular da China.