"Não te metas com profissionais!"

1 - Eram cerca das 11.20 da manhã. Nos stands e estábulos ainda se martelavam os últimos pregos. Um proprietário mais dolente enfileirava as suas ovelhas para dentro do curral que lhe fora atribuído. Por entre os expositores ainda com marcas de sono sob os olhos, alguns visitantes mais madrugadores. As entidades que haviam aberto a expo-pecuária, nomeadamente o Secretário da Agricultura, os presidentes da Câmara, Junta e respetivas equipas, entre outros, já conviviam serenamente com as poucas pessoas que preenchiam o local. O ponto alto desse dia estava marcado para as 16h, com a presença do presidente do Governo Regional. Mas parece que alguém não o sabia.

De repente entra uma grande comitiva, completamente descaracterizada e desproporcional ao momento de pré – abertura do evento. Por entre uma equipa de 2 fotógrafos, 1 operador de câmara, alguns assessores, presidentes de junta e 1 chefe de gabinete, a comitiva de Paulo Cafôfo, que competia em número com as pessoas que já estavam no certame, afrouxou a meio caminho entre o portão e o palco. Aquela coluna de pessoas ali ficou parada por 10(?) 15(?) minutos, sem saber se avançava ou voltava outra hora. Um aparato tal, face ao momento muito inicial do evento, parecia algo vagamente ridículo. Num espaço que encheu de gente, alegria e venda de animais, mas muito mais tarde. Uma tal demonstração de opulência, aparato e dinheiro, muito dinheiro, foi alvo de desdém dos populares pouco após a partida dos forasteiros. Essa tem sido a tónica da campanha do PS. Dinheiro a rodos, muita gente contratada, entre fotógrafos, cameras, escribas, alugueres semanais de grandes salas para apresentar sempre o mesmo, comitivas de assessores e presidentes de Junta. Se o PS está falido, tanto o de cá como o de lá, quem paga esta brincadeira?
2 - Quando não há ideias, programa, medidas; quando não se consegue atacar um adversário na sua ação política, na sua gestão governativa, os sem carácter recorrem à boataria, ao diz-que-disse, ao amigo do amigo que viu, que tem a certeza, ao “disseram-me que”. Quantos que leem esta palavras ouviram falar, por parte de alguém que garante ter a certeza, em elevadores secretos no hospital (elevadores secretos, meu Deus – pensem!!) que serviriam para levar Albuquerque a supostos tratamentos relacionados com droga? Albuquerque decidiu falar ontem sobre esse boato abjeto, revelando de onde começou, e esclarecendo que passou a dar mais atenção ao mesmo quando este começou a afetar os seus filhos e netas. António Fontes falou sobre isto em final de 2017, repudiando o boato que nascia por essas alturas, acusando os madeirenses de serem uma “sociedade de rótulos”. Perdão caro Tó, mas não posso concordar. Não são apenas os madeirenses. Em todo o lado, pessoas comuns como nós, tão atarefados com o dia-a-dia, com os problemas que nos preenchem a vida, sucumbimos a utilizar como catarse o alimentar de historietas que ouvimos falar, só pelo prazer de pisar alguém a quem reconhecemos poder. E só caímos em nós quando percebemos a forma como isso afeta os filhos, os entes queridos dos visados, danos colaterais de guerras espúrias, canalhas, alimentadas e exponenciadas por essa praga que são perfis falsos e blogues anónimos. Não devemos, cada um de nós, fazer uma profunda reflexão sobre a nossa quota parte enquanto joguetes de estratégias profissionais de canalhice política? Os grandes responsáveis são outros, os estrategas, os profissionais. Num filme de animação bíblica da preferência dos meus miúdos, dois “mágicos” do faraó, “ressabiados” pelas maravilhas sobrenaturais apresentadas pelo divino, ameaçavam cantando: “não te metas com profissionais!”. É precisamente contra profissionais destes que todos nós madeirenses temos de lutar!