Um país de fraudes!

Foi um ministro a dar o mote, relacionando o aumento dos apoios públicos para a mobilidade aérea aos residentes nas ilhas com alegadas fraudes. Ideia que define o real estado do País, que tem um Estado que se demite de atuar, como era sua obrigação, pois declina a responsabilidade de corrigir anomalias no âmbito das suas competências, preferindo deixar torto o que nasceu tortíssimo e atirar culpas para trás e para o lado. Assim ninguém anda para a frente.

Os custos com a mobilidade aumentaram? É fraude, grita o Estado. E fraudulenta é a legislação que permite subsidiar quem dela abusa!
E porque a palavra fraude parece cada vez mais em voga nos tempos que correm, a semana foi pródiga em outros embustes, voltando a TAP a ficar mal na ‘fotografia’. Anunciou este Jornal que a ‘Aerolíneas Estelar’ avança para a linha Caracas-Madeira, em contraciclo com o claro desinteresse revelado pela companhia aérea que tem o Estado como acionista. Mais. A privada ‘Estelar’ consegue garantir viagens a preços bem mais baratos do que os que constam da ‘semi-pública’ TAP: 720 contra 1.800 euros. 1.100 euros de diferença. Será fraude? Há sempre quem defenda a tese da livre concorrência, sem limites… até na vergonha, ou falta dela.
O tema da mobilidade, aliás, tem sido um ‘fartote’ de situações pouco claras, que resultam invariavelmente em acusações que andam para trás e para a frente, criando sempre divisões e separações claras entre aqueles que defendem um outro modelo e os que consideram o atual como um mal menor.
Também por isso poucos esperariam que fosse uma temática com uma génese tão separatista a unir ‘amigos desencontrados’ há muito. Falamos, claro, de Carlos Pereira e Paulo Cafôfo, que em uníssono parecem ter encontrado a forma de convencer os socialistas da Assembleia da República a votar favoravelmente a alteração ao modelo de mobilidade para os madeirenses. Convenhamos que o que importa, amigos ou não, é que se resolva o assunto. Os madeirenses poderão finalmente pagar os 86 euros à cabeça. Medida evidentemente muito positiva para os nossos depauperados orçamentos familiares. Convém, todavia, avisar o senhor ministro Pedro Nuno Santos que não será por isso que os valores do subsídio vão diminuir… A TAP vai continuar a enviar a fatura para o Estado, que paga por inteiro embora receba metade.
Adiante. Não faltam exemplos de que vivemos num país cada vez mais complicado para perceber de que lado está a razão. O debate sobre o ‘Estado da Região’ foi disso exemplo, com Governo e Oposição a apresentarem visões diferentes de assuntos iguais. Faz lembrar as estatísticas, onde os mesmos números garantem explicações distintas. Depende da forma como olhamos para a coisa.
Diferentes interpretações também estão na base do desentendimento entre Carlos Pereira e Petit. O treinador entende que tem contrato com o clube. O presidente garante que informou o atleta e tem provas disso. Se o Marítimo de Petit fosse tão estratega dentro de campo como se está a revelar o treinador, a equipa jogava para a Europa.